Carolina Maria de Jesus é Vanguarda!

Mulher preta, pobre, semialfabetizada, o que uma mulher com essas características poderia almejar ser em uma sociedade racista? No máximo ser empregada doméstica de uma ''boa'' família de brancos ricos, casar, ter filhos e pronto. Uma vida de limites.  

Se uma mesma mulher com essas características desejasse se tornar escritora, poetisa? No Brasil, década de 1960 era algo completamente inadmissível, improvável, impossível.  Apesar de todos os contras possíveis uma mulher com essas características brilhou como uma estrela. Se hoje apesar das limitações, já existem consolidadas escritoras negras, nada disso teria ocorrido se não fosse pelo pioneirismo desempenhado por Carolina Maria de Jesus.


Carolina Maria de Jesus desenvolveu sua obra á base de sua origem de sua vivência. Um ponto de vista próprio, quebrando paradigmas então existentes no universo da literatura brasileira a respeito da representação do africano/negro. Com maturidade e experiência de quem suportou na pele e por causa da pele inúmeras dificuldades, sofrimentos, mas que superou barreiras consideradas intransponíveis, Carolina Maria de Jesus construiu composição literária vanguardista. 

Em 2014 centenário de seu nascimento? Onde está as homenagens, o prestigiamento das feiras literárias, os debates sobre seus livros? Nada disso acontece, por que esse tipo de honraria apenas fica reservada para escritores brancos.


Quando deixamos de reconhecer e não damos o devido laurel da grandeza de Carolina Maria de Jesus, isso nós mata historicamente, quando não fazemos justa deferência, perdemos nossa memória histórica.

Por tudo que fez com toda justeza e possível chamar Carolina Maria de Jesus de primeira-dama da literatura afro-brasileira.



Kassan 21/12/2014
E quanto à acusação de que os negros estão ficando racistas?

Por Steve Biko

Essa queixa é um dos passatempos favoritos de liberais frustrados que sentem que estão perdendo terreno na sua atuação como guias. Esses autonomeados guias dos interesses dos negros se vangloriam dos anos de experiência na luta pela defesa dos "direitos negros". Eles vêm fazendo coisas para os negros, em favor dos negros e por causa dos negros,mas quando estes anunciam que chegou a hora de fazerem as coisas por eles mesmos, todos os liberais gritam como se fosse o fim do mundo! Ei, vocês não podem fazer isso! Você está sendo racista. Está caindo na armadilha deles.


Aparentemente está tudo bem com os liberais, desde que continuemos na armadilha deles. As pessoas bem informadas definem o racismo como a discriminação praticada por um grupo contra outro, com o objetivo de dominar ou manter a dominação. Em outras palavras, não se pode ser racista a menos que se tenha o poder de dominar. Os negros estão apenas reagindo a uma situação na qual verificam que são objetos do racismo do branco. Estamos nessa situação por causa de nossa pele. Somos segregados coletivamente - o que pode ser mais lógico do que reagirmos em grupo?Quando os trabalhadores se reúnem sob os auspícios de um sindicato para lutar por melhores condições de vida, ninguém no mundo ocidental se surpreende. É o que todo mundo faz. Ninguém os acusa de terem tendências separatistas. Os professores travam suas próprias lutas, os lixeiros fazem o mesmo, e ninguém age como guia do outro. Mas, de algum modo, quando os negros querem agir por si, o sistema liberal parece encontrar nisso uma anomalia. Na verdade, é uma contra-anomalia. A anomalia se encontra antes, quando os liberais são presunçosos o suficiente para achar que cabe a eles lutar pelos negros.








Kassan 19/12/2013


Uma sombra que ainda paira sobre a África do Sul

Mesmo com o término oficial do apartheid a mais de 2 décadas. Ainda continua a prevalecer áreas habitadas exclusivamente por brancos. Se mantendo alheias a queda do apartheid. Uma dessas comunidades boeres homogêneas é Orânia, localizada em proximidade ao rio Orange. Em Orânia possui hino, moeda própria (valida apenas na comunidade) até uma bandeira, bastante sugestiva que traz a imagem de um garoto arregaçando as mangas. O objetivo de Orânia e ser um reduto para a cultura africâner, reunir forças suficientes para proclamar independência geral da África do Sul.

Espalhado pela África do Sul há vigentes organizações políticas dedicadas a promoção do nacionalismo africâner, defendendo a criação de uma república composta unicamente por brancos. Se baseiam em uma reciclagem do conceito ideológico chamado de Volkstaat ( Estado do Povo) que serviu de suporte para a supremacia racial na África do Sul desde a independência do país até a formalização do apartheid. A principal dessas organizações políticas bôer é Movimento de Resistência Africâner (em africâner: Afrikaner Weerstandsbeweging), abreviado para AWB. O líder da organização do AWB, Eugène Terre'Blanche foi morto em 2010 por empregados negros.

Essas organizações estão em condição de marginalidade política. Não dispõem de apoio de massas. Mas possuem milícias armadas e treinadas. Classificam que o povo bôer esta em séria situação de genocídio, tendo suas propriedades e vidas ameaçadas por horda de africanos.

Mesmo estabilizado o regime político da África do Sul pós-apartheid, sempre possa haver o risco de haver o por parte de boeres extremistas o uso de métodos de terrorismo para concretizarem seus objetivos.




( Bandeira de Orânia)                          



Kassan 12/12/2013

O temor de uma África do Sul nuclearizada governada por negros!

Por que um país ''voluntariamente'' desmantelaria suas armas nucleares que consumiram anos e bilhões de dólares para serem desenvolvidas? Esse questionamento vai direto para a África do Sul.

África do Sul e o único país no continente africano a possuir controle sobre tecnologia nuclear. O país possui a única usina nuclear do continente africano, Central Nuclear Koeberg, cuja construção se iniciou em 1976 e foi terminada em 1984. Em 1982 ainda durante a construção a instalação da usina foi atacada por combatentes do Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação) ramificação guerrilheira do CNA (Congresso Nacional Africano). O desenvolvimento do estágio tecnológico nuclear do país foi alcançada devido a cooperação com Israel, os governos de ambos os países durante as décadas de 1960, 70,80 fecharam uma parceria nessa área, os israelenses forneceram combustível nuclear aos sul-africanos.

O programa nuclear sul-africano permitia que o país tivesse o controle das etapas de enriquecimento de urânio, com isso a confecção de um artefato nuclear se tornou viável. Apesar de publicamente negado por autoridades sul-africanas, foi exatamente isso que o governo da minoria branca realizou, aproximadamente 6 ogivas nucleares foram produzidas. Além das armas nucleares, houve também o esforço em capacitar à defesa militar com mísseis balísticos. Há África do Sul na época da Guerra Fria, por sua posição geográfica no continente, correspondia como um importante aliado estratégico no combate a proliferação de governos socialistas nos países vizinhos. Mantendo essa destacada posição de gendarme associado ao imperialismo, portanto não ocorreu por parte dos Estados Unidos, Inglaterra, oposição ao empenho do regime segregacionista em dispor desse poderio bélico. 

Essa situação se alterou a partir da metade da década de 1980. Com a eleição de Frederick De Klerk a presidência com um discurso reformista, pregando a distensão gradual do apartheid, já prevendo como inevitável a continuidade das bases do regime racista e temorizando a futura democratização política que colocariam os negros no poder, a cúpula das Forças Armadas decidiu por uma resolução em que todas as ogivas nucleares seriam desativadas e os mísseis balísticos desmantelados.

Uma nova África do Sul, governada por negros é possuindo armas nucleares e  mísseis balísticos não era aceitável para o futuro. Antes que se finalizasse o processo de término oficial do segregacionismo, toda a infraestrutura militar foi liquidada, ogivas desativadas e os mísseis balísticos desmontados completamente e suas peças destruídas. Nelson Mandela foi libertado em 11 de fevereiro de 1990. Em julho de 1991 Frederick De Klerk apressadamente assina a participação sul-africana para integrar o Tratado de Não Proliferação de Armas (TNP) e depois o governo ainda assinou um acordo de salvaguardas abrangente com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Ainda nos esforços em evitar qualquer tentativa futura de próximo governo Sul-Africano em reestruturar o país novamente com armas nucleares, o regime de apartheid promulgou a maior parte da legislação de auto-restrição na forma de "Lei de Não-Proliferação de Armas de Destruição em Massa", essa legislação estabeleceu a criação de um conselho nacional para controlar as exportações de materiais, equipamentos e tecnologia militar.

Frans Cronje, vice-presidente do Instituto Sul-Africano de Relações Raciais, um think tank com sede em Joanesburgo, argumenta decididamente: "Um Estado Africano nuclear exerceria um papel de liderança mais forte, algo que obriga outros governos a conceder um tratamento com mais seriedade em questões político-diplomáticas. Não podemos negar o poder nuclear é o poder dissuasivo mais efetivo em nosso mundo contemporâneo."


Nota do Blog*

Uma nação negra nuclearizada seria excelente, pois seria um contrapondo ao sistema mundial de poder ''branco''. Os demais países não-brancos a possuírem armas nucleares, China, Coreia do Norte, Índia, Paquistão, economicamente e politicamente não objetivam contestar ou alterar o sistema mundial de poder branco.



Kassan 07/12/2013 

Nelson Mandela não foi o único!

Mesmo pelo pesar da notícia o Madiba está morto. Há mídia mundial, trata logo de exaltar características que consideram magníficas em Nelson Mandela, seu caráter reconciliador não revanchista, um apologista da universal da paz. São atributos sempre ressaltados em todas as matérias a respeito de Mandela.

Para esses jornalistas o fim do apartheid se deve exclusivamente como uma desfecho bem negociado entre Nelson Mandela é Frederik de Klerk. Ignorando o sangue africano vertido na luta armada empregada.


O que muito a mídia ignora são os outros combatentes que tombaram lutando contra o apartheid. Um dos principais militantes ''esquecidos'' foi Robert Sobukwe, fundador e líder de uma das principais organizações a oferecer resistência ao regime boer o Congresso Pan-africanista de Azania (PAC), inicialmente conhecido por Congresso Pan-africanista.

O PAC recorreu a métodos de luta armada, criando uma organização guerrilheira apêndice o Exército Popular de Libertação de Azania (APLA). Muitos integrantes do PAC foram presos é executados. Robert Sobukwe que coincidentemente nasceu em um 5 de dezembro, foi preso, torturado e morreu nas masmorras do apartheid em 1978. O PAC sobreviveu a repressão do apartheid e ainda continua na ativa na África do Sul.






Kassan 06/12/2013


Fred Hampton, revolução nunca morre!


Fred Hampton foi à principal liderança do Partido Pantera Negra, na cidade de Chicago, Estado do Illinois. Militante destacado pela energia com que promovia ideias revolucionárias é como também as colocava em prática. Teve uma vida curta, porém tempo suficiente para ser devidamente reconhecido como um mártir. Traído por alguém que considerada companheiro de partido e morto covardemente por forças policiais.

Fred Hampton foi um estrategista político capaz de estender ao Partido Pantera Negra um arco de alianças com outros grupos militantes fora da comunidade negra, igualmente oprimidos pelo establishment estadunidense, especialmente a comunidade latina. Uma face jovial de uma América negra em raiva que conscientemente se insurgia contra a opressão racista e classista. Foi ativista, orador, organizador, reunia todas as características positivas de alguém a batalhar arduamente pelo povo, tudo isso mantendo um charme carismático que magnetizava as pessoas.

O assassinato de Fred Hampton é considerado uma verdadeira declaração de guerra por parte do Estado reacionário contra os Panteras Negras e também contra todas as organizações radicais políticas existentes na época. Matá-lo foi parte da operação do COINTELPRO (Programa de Contra-inteligência), desenvolvido pelo FBI (Federal Bureau of Investigation) para exterminar, inibir e neutralizar tudo que fosse considerado perigoso a "segurança interna" dos Estados Unidos. Após a morte Hampton foi intensificado a repressão sobre os quadro do Partido Pantera Negra, levando a morte ou a prisão outras dezenas de integrantes.  

Nascido em 30 de agosto de 1948, em 4 de dezembro de 1969 foi dopado por William O'Neal, um infiltrado entre os Panteras Negras que colaborava com a polícia. Invadido o apartamento Fred Hampton sobre o efeito das drogas não teve tempo para reagir, sendo morto a tiros, juntamente com ele outro Pantera Negra, também foi executado pelos agentes da repressão Mark Clark, também estava no apartamento na hora do duplo homicídio a namorada de Hampton, Deborah Johnson (agora conhecido como Akua Njeri) estava grávida e presenciou toda a ação de extermínio. O filho do casal batizado de Fred Hampton Jr. nasceria poucos dias após a morte do pai em 29 de dezembro. Com a coordenação direta do FBI, o objetivo da polícia era muito maior, era aniquilar toda a cúpula do Partido Pantera Negra da cidade de Chicago, conforme comprova a declaração de Gregg Iorque, agente especial do FBI, envolvido na operação:

"Esperávamos cerca de vinte panteras estarem no apartamento quando a polícia invadiu o local. Apenas dois desses criolos foram mortos, Fred Hampton e Mark Clark."

Durante 21 anos seguiu uma lei própria de todo autêntico revolucionário, a lei de "Servir o povo de todo coração". 




Segue abaixo uma eloquente demonstração política de pleno amor feita pelo próprio Fred Hampton para com o povo. Uma lição histórica.

Eu nasci em uma comunidade burguesa e tive algumas das melhores coisas da vida, mas eu achei que havia mais pessoas famintas do que havia pessoas comendo, mais pessoas que não tinham roupas que tinham roupas. Então eu decidi que eu não iria parar de fazer o que estou fazendo até que todas as pessoas estivessem livres.

Nós vamos ter que fazer mais do que falar. Nós vamos ter que fazer mais do que ouvir. Nós vamos ter que fazer mais do que aprender. Nós vamos ter que começar a praticar e isso é muito difícil. Estamos vai ter que começar a ficar lá fora, com as pessoas e isso é difícil. Às vezes pensamos que somos melhores do que as pessoas, por isso evitamos um monte de trabalho duro.

Você não combater fogo com fogo. Você combater o fogo com água. Estamos racismo luta vai com solidariedade. Nós não somos o capitalismo luta vai com o capitalismo Preto. Estamos capitalismo luta vai com o socialismo. Socialismo é o povo. Se você tem medo do socialismo, você tem medo de si mesmo.

Sem educação, as pessoas vão aceitar qualquer coisa. Sem educação, o que você vai ter é neocolonialismo em vez do colonialismo como você tem agora. Sem educação, as pessoas não sabem por que elas estão fazendo o que estão fazendo, você sabe o que eu quero dizer? Você pode ter pessoas envolvidas em um movimento emocionalista, pode levá-las porque elas são pobres e elas querem alguma coisa e, em seguida, se elas não estão educadas, elas querem mais e antes que você perceba, nós temos um imperialismo Negro.


Você tem que entender que as pessoas têm de pagar o preço da paz. Se você se atreve a lutar, você se atreve a ganhar. Se você não se atrevem a lutar, então você não merece ganhar. Deixe-me dizer: paz para você, se você estiver disposto a lutar por ela.

Nada é mais importante do que parar o fascismo, porque o fascismo vai nos parar. Nós não odiamos as pessoas brancas. Odiamos o opressor, seja ele branco, preto, marrom ou amarelo. Vamos trabalhar com qualquer um, se aglutinam com qualquer pessoa que tenha revolução em sua mente. Mas qualquer um que entra em nossa comunidade e configura qualquer coisa que não atende às necessidades das massas, vou agarrá-lo pelo pescoço e bater aquele homem até a morte com um papel de Pantera Negra.

Eu vou fazer o meu trabalho e eu acredito que eu nasci para não morrer em um acidente de carro. Eu não acredito que eu vou morrer escorregando por um pedaço de gelo. Eu não acredito que eu nasci para morrer por causa de um coração mau. Eu não acredito que eu nasci para morrer de câncer de pulmão. Acredito que vou ser capaz de fazer o que eu vim fazer. Acredito que vou ser capaz de morrer voluntariamente pelo povo. Acredito que serei capaz de morrer como revolucionário na luta revolucionária internacional do proletariado. E eu espero que cada um de vocês seja capaz de viver nela. Eu penso nas lutas que estão por vir. Por que não viver para o povo? Por que não viver para a luta? Por que não morrer na luta?

Se você não vai fazer nenhum ato revolucionário, pode esquecer-se de mim. Eu não me quero em sua mente se você não está indo trabalhar para o povo. Eu não poderia estar de volta. Eu poderia estar na cadeia. Eu poderia estar em qualquer lugar. Mas você pode acreditar que as últimas palavras em meus lábios serão eu sou um revolucionário."





Kassan 04/12/2013 


CANTO DOS PALMARES


Eu canto aos Palmares
sem inveja de Virgílio, de Homero e de Camões
porque o meu canto é o grito de uma raça
em plena luta pela liberdade!
 
Há batidos fortes
de bombos e atabaques em pleno sol
Há gemidos nas palmeiras
soprados pelos ventos
Há gritos nas selvas
invadidas pelos fugitivos...
 
Eu canto aos Palmares
odiando opressores
de todos os povos
de todas as raças
de mão fechada contra todas as tiranias!
 
Fecham minha boca
mas deixam abertos os meus olhos
Maltratam meu corpo
minha consciência se purifica
Eu fujo das mãos do maldito senhor!
Meu poema libertador
é cantado por todos, até pelo rio.
 
Meus irmãos que morreram
muitos filhos deixaram
e todos sabem plantar e manejar arcos
Muitas amadas morreram
mas muitas ficaram vivas,
dispostas a amar
seus ventres crescem e nascem novos seres.
 
O opressor convoca novas forças
vem de novo ao meu acampamento...
Nova luta.
As palmeiras ficam cheias de flechas,
os rios cheios de sangue,
matam meus irmãos, matam minhas amadas,
devastam os meus campos,
roubam as nossas reservas;
tudo isto para salvar a civilização e a fé...
 
Nosso sono é tranqüilo
mas o opressor não dorme,
seu sadismo se multiplica,
o escravagismo é o seu sonho
os inconscientes entram para seu exército...
 
Nossas plantações estão floridas,
Nossas crianças brincam à luz da lua,
nossos homens batem tambores,
canções pacíficas,
e as mulheres dançam essa música...
 
O opressor se dirige aos nossos campos,
seus soldados cantam marchas de sangue.
O opressor prepara outra investida,
confabula com ricos e senhores,
e marcha mais forte,
para o meu acampamento!
Mas eu os faço correr...
 
Ainda sou poeta
meu poema levanta os meus irmãos.
Minhas amadas se preparam para a luta,
os tambores não são mais pacíficos,
até as palmeiras têm amor à liberdade...
 
Os civilizados têm armas e dinheiro,
mas eu os faço correr...
Meu poema é para os meus irmãos mortos.
Minhas amadas cantam comigo,
enquanto os homens vigiam a terra.
 
O tempo passa
sem número e calendário,
o opressor volta com outros inconscientes,
com armas e dinheiro,
mas eu os faço correr...
Meu poema é simples,
como a própria vida.
Nascem flores nas covas de meus mortos
e as mulheres se enfeitam com elas
e fazem perfume com sua essência...
 
Meus canaviais ficam bonitos,
meus irmãos fazem mel,
minhas amadas fazem doce,
e as crianças lambuzam os seus rostos
e seus vestidos feitos de tecidos de algodão
tirados dos algodoais que nós plantamos.
 
Não queremos o ouro porque temos a vida!
E o tempo passa, sem número e calendário...
O opressor quer o corpo liberto,
mente ao mundo
e parte para prender-me novamente...
 
- É preciso salvar a civilização,
Diz o sádico opressor...
Eu ainda sou poeta e canto nas selvas
a grandeza da civilização
a Liberdade!
Minhas amadas cantam comigo,
meus irmãos batem com as mãos,
acompanhando o ritmo da minha voz....
 
- É preciso salvar a fé,
Diz o tratante opressor...
Eu ainda sou poeta e canto nas matas
a grandeza da fé  a Liberdade...
Minhas amadas cantam comigo,
meus irmãos batem com as mãos,
acompanhando o ritmo da minha voz....
 
Saravá! Saravá!
repete-se o canto do livramento,
já ninguém segura os meus braços...
Agora sou poeta,
meus irmãos vêm comigo,
eu trabalho, eu planto, eu construo
meus irmãos vêm ter comigo...
 
Minhas amadas me cercam,
sinto o cheiro do seu corpo,
e cantos místicos sublimizam meu espírito!
Minhas amadas dançam,
despertando o desejo em meus irmãos,
somos todos libertos, podemos amar!
Entre as palmeiras nascem
os frutos do amor dos meus irmãos,
nos alimentamos do fruto da terra,
nenhum homem explora outro homem...
 
E agora ouvimos um grito de guerra,
ao longe divisamos as tochas acesas,
é a civilização sanguinária que se aproxima.
Mas não mataram meu poema.
Mais forte que todas as forças é a Liberdade...
 
O opressor não pôde fechar minha boca,
nem maltratar meu corpo,
meu poema é cantado através dos séculos,
minha musa esclarece as consciências,
Zumbi foi redimido...

( Solano Trindade )
REVISTA TIÇÃO

Revista Tição foi criada em 1976 em na cidade de Porto Alegre. Desde o início foi uma publicação de vanguarda, que avançou no debate é reflexão sobre o racismo. Reunindo um brilhante staff de colaboradores que incluíam jornalistas, escritores e militantes de um vindouro Movimento político Negro que se reestruturava corajosamente mesmo sobre a repressão do autoritarismo do regime militar. 

Revista Tição foi um marco no renascimento da imprensa negra, isso em pleno período da ditadura militar a onde a questão do racismo era tabu a ser abordado, tempo em que a censura era exercida contra tudo que contrariava os interesses do regime. Nada de discutir relações raciais, questionar discriminação étnica, disparidades socioeconômicas entre brancos e negros, tudo era proibido. Deveria prevalecer o imposto pensamento hegemônico, baseado no modelo de ''democracia racial'', a propaganda oficial apresentava o Brasil, como sendo um país abstenho de qualquer modalidade de racismo, éramos o paraíso da harmonia racial em terra. Cogitar a politização da população afro-descendente era algo fora da ordem. 


Mesmo diante a todo clima hostil é contrário a abrangência da análise étnico-racial, a revista foi levada a cabo, sendo um importante órgão de comunicação. Em circunstâncias de muitas dificuldades em prosseguir a revista deixou de ser publicada em 1979.


Posteriormente houve tentativas em reativar a publicação, lançaram-se algumas edições, contudo sem êxito esperado. Estamos em véspera de 20 de novembro, data da celebração de nossa consciência política, humana, resgate é valorização de nossa memória história. Que fique registrado a importância da Revista Tição e a necessidade em construir uma mídia associada diretamente a defesa de nossos interesses, um canal de expressão e representatividade que desfaça a influência nefasta da mídia venal que com seu poderio, nos nega representação é ainda por cima nos criminalizar de todas as formas possíveis. 






Kassan 18/10/2013

LEMBREMOS É RESPEITEMOS NOSSOS MORTOS!

Relembrar os mortos é um exercício de homenagem que possamos ter para com eles que se foram. Honrá-los por sua caminhada, resistência é história, nos coloca dignos de reivindicarmos nossa preciosa identidade. Nenhum povo segue em frente ignorando seu passado ou menosprezado seus ancestrais. Essa cultura de respeitar os que aqui não mais se encontram em plano terreno, faz com que nos fiquemos mais fortes, mais inteligentes, mais compreensivos sobre nossa existência. 

Para reverenciar plenamente os nossos homens e mulheres que transitaram da vida para morte, não basta apenas retrocedermos a linha do tempo em apenas em anos, décadas, mas sim em séculos.  





Kassan 02/11/2013 



Pelé a construção de um rei servil 

Hoje completa 73 anos de nascimento, Edson Arantes do Nascimento, o inconfundível Pelé. Maior jogador de futebol da história desse esporte. Único tricampeão mundial, considerado o  “atleta do século”. Sem dúvida um dos brasileiros mais famosos é conhecidos mundialmente. 


Pelé não foi apenas um ícone no esporte. Foi transformado em algo maior. Uma referência de nacionalidade brasileira. Pelé serviu como de um símbolo de uma pretensa integração étnica pacífica, base de nossa harmoniosa identidade é nacionalidade, algo há servir tanto como garoto-propaganda de consumo interno e externo. Um perfeito exemplar de garoto-propaganda da “Democracia Racial”. 


Pelé nunca estendeu sua fama e prestígio para opinar a respeito de assuntos políticos, sociais. Apenas a comovida declaração na ocasião do seu milésimo gol, a onde bradou para que não esquecermos as criancinhas. Fora disso Pelé sempre foi marcado por argumentar  asneiras. 

Sua vida pessoal também não pode deixar de ser contestada. O desprezo por suas duas filhas. Sandra Regina que faleceu de câncer de mama em 2006, sem nunca ter podido experimentar qualquer amor paterno de Pelé, teve que brigar na justiça para ser reconhecida como filha. E Flavia Kurtz que somente teve reconhecimento por parte de Pelé, para evitar problemas judiciais. 

O auge de Pelé foi a Copa de 1970 da qual ao lado de uma geração de craques, triunfou brilhantemente.  No contexto político a repressão contra dissidência política é militância armada estava em sua fase mais intensa, desaparecimentos, assassinatos é práticas de tortura estavam sendo empregados de forma generalizada, pelo aparelho de segurança do regime militar.


Seleção brasileira foi amplamente usada pelo governo de Emilio Médici, para incrementar uma histeria patriótica. Unir toda a nação em torno da torcida pela vitória da seleção canarinho. A conquista da taça Jules Rimet produziu êxtase enquanto as massas comemoravam nas ruas, centenas de militantes de esquerda eram submetidos a sevicias nos cárceres. 


Essa relação de uso midiático e político de Pelé pela ditadura cívico-militar, pode se constatada em uma entrevista que o “Rei” do futebol, concebeu a  jornal uruguaio La Opinion, Montevideo. Questionado sobre o que considerada do governo, declarou: ''Não há ditadura militar no Brasil. O Brasil é um país liberal, uma terra de felicidade. Somos um povo livre. Nossos dirigentes sabem o que é melhor para nós, e nos governam com tolerância e patriotismo” (Entrevista a Amália Barran, 1972).


O talento para o futebol não se pode retirar dele. Contudo, é se Pelé tivesse tido um comportamento diferente? Uma atitude mais contestadora, ter uma opinião independente, defender os interesses do Povo Negro e dos pobres em geral, teria ele se tornado aquilo que e considerado atualmente? Obviamente não. Edson Arantes do Nascimento o famoso é inconfundível Pelé foi um talento esportivo, mas um alienado fabricado. 





KASSAN 23/10/2013


Há morte de um Leão Africano

Há exatos dois anos, o Coronel Muammar Kadafi era assassinado pela horda de pseudo-rebeldes que assaltaram a Líbia, com ajuda da famigerada OTAN. Em 20 de outubro de 2011 era ouvido o último rugir desse leão africano. Morreu de armas em punho, não se entregando jamais.


Todo processo que se iniciou desde as agitações dos supostos “rebeldes” na cidade de Bengazi até a intervenção armada neocolonialista em solo líbio foi uma trama deliberada com objetivo de apoderar-se das grandes reservas de gás e petróleo daquele país, essas riquezas hoje se encontram divididas como botim entre as multinacionais petrolíferas das potências imperialistas.


Um verdadeiro roubo ao puro estilo neocolonialista que contou com a colaboração de traidores nacionais internos, que não hesitaram em levar a nação norte-africana ao caos completo. A chegada ao poder do jovem oficial coronel Muammar Kadafi ocorreu em 1969, através de uma revolução democrática popular que pôs término a arquicorrupta monarquia entreguista do Rei Idris. Após a revolução foi possível realizar uma série de reformas sociais no país. O país que conforme dados da própria ONU tinha o melhor IDH da África, teve sua infraestrutura pulverizada pelos pesados bombardeios da OTAN. Resultando no aumento generalizado da pobreza é penúria da população pobre que teve importantes conquistas sociais obtidas graças à verdadeira revolução de 1969, sumariamente liquidadas.


As justificativas para a agressão militar foram descaradamente fraudadas. Dentro do pacote de estratégia geopolítica posto em prática pelas potências saqueadoras foi imprescindível  montar uma operação midiática da qual inclusive a “nossa” rede Globo também participou ( enviou o repórter Marcos Uchôa como correspondente de guerra ). Forjaram-se provas de irreais massacres contra civis, operados pelas forças leais a Kadafi.


Criado todo teatro de enganar tolos, e com aval da impotente ONU, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França com apoio de Itália, foi usado o poderio bélico da OTAN para arrasar a Líbia.  


Muammar Kadafi cometeu já vinha cometendo erros ao escolher uma política de oscilação diante ao imperialismo. Tentando encontrar formas em apaziguar suas relações com os imperialistas ocidentais. A desistência do programa nuclear líbio foi uma materialização dessa política. Durante o período de início das mobilizações dos traidores líbios em Bengazi, Muammar Kadafi poderia tê-los esmagados sem hesitação antes de a situação sair ao seu controle, mas preferiu buscar negociações diplomáticas para possíveis saídas para o conflito, foi uma falha fatal que custou tanto o poder como a própria vida. Não havia interesse das potências em mantê-lo no poder mesmo que enfraquecido, há questão era eliminá-lo é ao seu lugar implantar um governo títere. Há principio os falsos rebeldes não tinham capacidade militar e tão pouco apoio popular para derrubar o regime. Foram os ataques aéreos da  OTAN,que abriram caminho para o prolongamento da guerra civil.


Muammar Kadafi em busca de modernizar as Forças Armadas havia comprado jatos Rafale da França. Ordinariamente nenhuma dessas aeronaves pode ser colocada em combate. Os franceses através de dispositivos de controle remoto inviabilizaram os jatos que sequer conseguiram alçar vôo.


Kadafi  foi abandonado por aqueles que acreditava serem aliados. Apostou que a Rússia iria intervir ao seu favor, algo que não aconteceu. Constatou a falácia bolivariana de Hugo Chávez que apesar da retórica antiimperialista, nada fez de concentro para materializar qualquer solidariedade internacionalista.


O regime Kadafista cumpria ao seu modo uma ponte de relação de aproximação e inter-diálogo entre o norte da África historicamente ocupada pelos árabes é o restante do continente. Por essa natureza do regime, Muammar Kadafi sempre buscou o estreitamento das nações africanas, guiada pelo Pan-africanismo. Intenção em formar um bloco econômico é político capaz de frear o saqueio neocolonialista sobre o continente. Desgraçadamente de forma covarde a famigerada UA ( União Africana), se resignou a passividade, obedecendo aos ditames imperialista, sem importar que a ofensiva guerreirista não apenas atentou contra a soberania líbia, mas coloca todo continente africano em condição perigosa de alvo de sanha.  


Apresentada como uma extraordinária revolução popular, produto direto da chamada “Primavera Árabe”. Qual tipo de revolução genuinamente popular se associa ao imperialismo para triunfar? Os conclamados rebeldes que reivindicavam lutar por democracia, adotaram a bandeira monárquica da dinastia Idris.  O que foi realizado na Líbia, hoje se tornou um modelo bem apropriado a ser usado em outras partes do mundo, a guerra civil na Síria evidencia isso diretamente.


Algo que pode ser uma contradição, porém não para os Estados Unidos que já haviam feito o mesmo em situações anteriores como no Afeganistão na década de 1980. Através da CIA, proveu treinamento, armamento é apoio logístico fundamentalistas islâmicos, incluindo elementos ligados a Al-Quaeda.

Diferente de outros países, ao invés de manter reservas cambiais em dólares a Líbia possuía reservas em ouro puro. Isso possibilitava ao país garantir segurança econômica, ficando livre das chantagens financistas internacionais. O que ocorreu com a imensa reserva de ouro após a queda? Comprovadamente não está sendo utilizado para a reconstrução do país.


Outra constatação terrível que surgiu com a queda de Kadafi foi o crescimento do racismo contra africanos subsaarianos. Os africanos subsaarianos dentro da Líbia eram imigrantes que formavam uma classe de trabalhadores principalmente da construção civil, muitos refugiados da fome.


Entre os nada-rebeldes prevalece um visceral ódio étnico contra as pessoas de pele escura. Ocorre o objetivo em formar uma Líbia etnicamente árabe.  Foram criados campos de concentração de subsaarianos, que estão aglomerados em condição insalubres. Morrendo por inanição, doenças.


Esse retalho de sicários que tomaram o poder é altamente instável. Aumentam-se as lutas intestinas entre as facções pela partilha do poder. Ironicamente o mesmo armamento avançado que a CIA, forneceu para os terroristas fundamentalistas foi usado no atentado que matou o embaixador norte-americano J. Christopher Stevens em setembro de 2012. Recentemente a captura de Abu Anas al-Libi, líder fundamentalista islâmico acusado de ligações com os atentados as embaixadas dos EUA na Tanzânia e Nigéria, por forças especiais norte-americana levou ao sequestro do primeiro-ministro Ali Zeidan que após negociações foi libertado.


Líder assassinado. País destruído. Riquezas saqueadas. Tudo operado pelo maior inimigo dos povos: O IMPERIALISMO!   .






KASSAN 20/10/2013



CONTEMPORANEIDADE DOS IMPACTOS DA ESCRAVIDÃO PARA OS NEGROS

E recorrente por parte de nossos detratores, aqueles mesmo da expressiva turma do “Não somos racistas”, afirmarem que a escravidão e algo de um passado “distante” que não influencia o nosso atual presente, que somos paranóicos em usarmos a escravidão para justificar nossas posições políticas. Pois bem, para rejeitamos o que esses revisionistas de mau caráter de todas as matizes, elaboramos uma lista com 6 impactos provocados pela escravidão que estão presentes em nossas existências cotidianas.    


1° Nome

Quem leu o livro “Roots” de Alex Haley ou assistiu a série televisiva baseada na obra, lembra de uma das mais marcantes passagens da história foi quando sendo chicoteado no tronco, Kunta Kinte foi obrigado renunciar ao seu nome original, para adotar um nome europeu. O capataz chibatava Kunta Kinte para forçá-lo a abandonar seu nome original e aceitar o nome que havia sido imposto, mesmo já em exaustão pelas sevícias, Kunta Kinte não se rendia e continua a pronunciar seu nome. Ao ser escravizado e trazido para o continente americano o africano tinha seu nome retirado e substituído por outro nome, ligado ao cristianismo. Apagar o nome do indivíduo era uma das fases prioritárias do cruel processo de destruição cultural. A escravidão desumanizou o africano, despojou sua identidade nativa. Isso não foi praticado exclusivamente pelos europeus, os árabes também realizam o mesmo processo de aniquilamento identitário, quando escravizaram africanos. Devido a isso, hoje muitos negros carregam nomes europeus ou árabes.




2° Comida

Na África, nossos ancestrais mantinham uma alimentação balanceada para suas necessidades, que continuam vegetais e carne obtida pela caça, nada em exagero. As dietas de muitas pessoas negras que vivem na diáspora são um resultado direto da escravidão. Os senhores da casa grande, geralmente consumiam as partes boas, magras e carnudas dos animais da fazenda e deixavam os restos para os escravos se alimentarem. Escravos africanos foram forçados a incorporar essas sobras em sua alimentação. A conhecida feijoada que reúne várias partes de carne, especialmente a de porco, é uma verdadeira bomba calórica altamente prejudicial para os níveis de colesterol no organismo. A continuada ingestão dessa dieta causou prejuízos à saúde que se arrastaram por gerações, sentimos essas consequências através de doenças crônicas que afligem nossas comunidades, incluindo acidentes vasculares cerebrais, diabetes, obesidade mórbida, hipertensão arterial, e doenças cardíacas.


3° Economia

Antes da imposição da escravidão em larga escala, muitas economias africanas floresceram e foram base de sociedades estáveis e desenvolvidas. Mansa Musa o lendário rei do grande império Mali, no século 14, era o homem mais rico do planeta, conforme apontam alguns estudos o monarca do Mali, chegou a possuir no auge um patrimônio de US $ 400 bilhões, nem mesmo os atuais homens mais ricos do mundo têm um patrimônio desse tamanho, nenhum país africano atualmente tem um PIB superior a fortuna pessoal do soberano Malinês. Em relação à diáspora a abolição da escravidão não foi seguida por nenhuma medida de reparação econômica, os séculos de trabalhos forçados não foram recompensados de nenhuma maneira, isso provoca a disparidade econômica entre a comunidade dos descendentes dos africanos e a comunidade dos euro-descendentes que constituem a composição da classe dominante. Os negros são superexplorados no capitalismo e não tendo o controle de capital para investirem em seu próprio progresso e bem-estar social, acabam por estarem em posição de pobreza e miséria extrema.



4° Linguagem

Nos tempos atuais a língua oficial de muitas pessoas africanas ou de ascendência africana e de base européia ou árabe. Durante o século 7 com a invasão árabe no norte da África ou com a colonização européia e comércio de escravos, intensificado no século 15, essas línguas estrangeiras foram introduzidas sobre a cultura africana. Muitas línguas, dialetos nativos foram perdidos e muitos estão em vias de se tornarem extintos.


5° Auto-ódio

Os senhores da casa grande, utilizavam muitos métodos para quebrar mentalmente os africanos escravizados. Ao validar-se como superior, eles usaram todas as ferramentas de propaganda ao seu alcance para ensinar aos africanos a odiar a si mesmos. Ocorreu o doutrinamento para odiar a negrura da pele, formatado do nariz, a espessura dos lábios, os cabelos crespos. Com a modernidade e surgimento dos meios de comunicação, entretenimento, se massificou a mensagem estimulando o auto-ódio na comunidade negra.  Por isso temos tantos negros alienados que odeiam sua natureza biológica.



6° Família

Nunca houve a possibilidade em constituir aos negros formarem uma família estável durante a escravidão. O peso da exploração impedia aos negros de se amarem livremente, terem filhos e criá-los em uma condição propícia. A exploração sexual sobre as mulheres trouxe feridas profundas, causando profundos danos psicológicos. Sem terem o direito a experiência familiar adequada entre os negros desenvolveu um modelo familiar desajustado. Homens que fogem das responsabilidades da paternidade, mãe solteiras tendo filhos sem amparo, ambientes infelizes e violentos. O renascimento da família negra e imprescindível para o avanço em direção a liberdade.  





Kassan 03/10/2013