Ideólogo racista, Ministro de Lula e Estatuto sem igualdade

Em recente nota, ministro da SEPPIR faz nova demagogia com o Estatuto da Igualdade Racial e a “sociologia” de Demétrio Magnoli casa perfeitamente com essa demagogia e com os reacionários do Democratas.

A sociologia de Demétrio Magnoli é o fundamento ideológico da ação do Democratas, filhote da ditadura e da extrema direita. O sociólogo (para não chamar de racista) defende que não há racismo na sociedade e, por isso, não é necessária nenhuma ação afirmativa. Confirmando isso, o Ministro Edson Santos da SEPPIR – Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – recentemente defendeu pela milésima vez o Estatuto da Igualdade Racial desprovido de igualdade, e mais, disse que é uma solução para o fim do racismo do Brasil. O absurdo de Santos parece apenas uma defesa barata do governo perto do racismo descarado do sociólogo.

Ministro Edson: “Estatuto da Igualdade Racial para acabar com o racismo”.

Em artigo publicado no sítio virtual O Globo, o ministro Edson Santos insistiu que o Estatuto da Igualdade Racial é a “mais importante ferramenta” para alcançar o fim da desigualdade racial. Que o estatuto “surge para dar consequência e aplicabilidade ao texto da Constituição de 1988, que, desde o seu preâmbulo e em diversos de seus artigos, confere ao Estado a responsabilidade pela promoção da igualdade e o combate aos preconceitos”. A referência diz respeito ao artigo 3º, que diz que é objetivo fundamental do Estado “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Citando Joaquim Nabuco (1849-1910), que se opôs ao regime escravista brasileiro e “profetizou” que o Brasil levaria um século para livrar-se da desigualdade entre os ex-escravos e os demais cidadãos, Santos, ao mesmo tempo em que considera otimista a declaração de Nabuco, contraditoriamente atribui ao Estatuto o papel de importante ferramenta contra a desigualdade racial.

Primeiro vamos nos ater a nova manifestação do ministro sobre a importância do Estatuto da Igualdade Racial. Não há qualquer medida nesse Estatuto que venha minimamente reduzir a desigualdade racial no Brasil. Como já analisamos aqui, essa proposta possui apoio da base governista, do próprio governo e da “oposição”, DEM, PSDB etc. Seu texto não prevê nenhuma ação objetiva com o fim de reduzir a desigualdade racial, e, como tantos outros projetos, tornar-se-á, como negociou a extrema direita: letra morta.

O ministro insiste em defendê-lo apenas para mostrar a Lula que ele está fazendo o trabalho direitinho, esquartejando a proposta original para se tornar apenas uma peça ilustrativa no gabinete do governo Lula, que por sua vez pretende sancionar essa lei no dia da Consciência Negra, 20 de novembro, e assim fazer mais demagogia como se fosse um governo à favor do povo negro. Mesmo que as constantes pesquisas sobre renda, educação, moradia, ainda mostram o negro completamente oprimido pelo Estado burguês como há décadas atrás.

Igualdade perante a lei, a biologia diz que somos iguais, então não há racismo? Magnoli e a teoria racista

Outro fator importante, citado pelo próprio ministro da SEPPIR, é essa igualdade formal fornecida pelo texto constitucional, existente também em outros diplomas legais. Esse argumento, de que “somos iguais perante a lei” é a pedra fundamental dos ideólogos racistas quando recusam a implantação do sistema de cotas nas universidades brasileiras. Dentre eles, tem-se destacado Demétrio Magnoli, com o velho sofisma de que se não existem raças, do ponto de vista biológico, mas que usa isso para afirmar que por isso não existe racismo. Outro abuso ideológico de uma sentença: se não há diferenças no plano jurídico (como afirma a constituição), não o há na sociedade. Fica claro que o propósito de Magnoli ao afirmar que as raças não existem biologicamente não é afirmar a igualdade, mas negar que existe opressão do negro pelo branco na realidade, o que impediria qualquer tentativa de ação afirmativa para a população negra. E, apesar da pouca aplicabilidade, a Constituição diz em seu artigo 4º que o Estado Brasileiro repudia o racismo, determinando, no inciso XLII do artigo 5º, que sua prática se constitui em crime inafiançável e imprescritível. Ora, se é punível o racismo pela própria Constituição, em que se baseia a teoria de Demétrio? É apenas racismo disfarçado. Ele vai além, se não há raça, não há conflito racial, e ação afirmativa seria uma atitude que levaria a um conflito racial de fato.

O surpreendente desta campanha levada a cabo por Magnoli (e o direitista grupo Millenium), Democratas etc. é que seja tão claramente racista, diante de toda a demagogia e hipocrisia em torno da questão do negro no Brasil nos últimos tempos de farta demagogia “democrática". O fato indica um forte movimento da direita no sentido da polarização política. Mas justamente por ser uma operação delicada é que necessita dos ideólogos, ou seja, pessoas que revestem essa ideologia racista e reacionária de uma camada de confeito “democrático” e consiga torná-la palatável para que uma parte da classe média conservadora possa se agrupar detrás dela.

Democracia burguesa é democracia racista

Vários são os argumentos capciosos com que se pretende enganar a população negra. Um dos principais é a igualdade jurídica, ou seja, igualdade formal dos cidadãos. Fundamentalmente o que nos interessa aqui é o caráter racista dessa tese, e não debatê-la abstratamente, como se estivéssemos defendendo uma tese de doutorado. No geral os liberais como Magnoli são como teólogos da democracia, como se essa tivesse surgido no mundo moderno para substituir a tábua dos dez mandamentos, vinda dos céus. A democracia, na realidade, por força do conservadorismo da burguesia é colocada acima da realidade, como um valor supremo e incontestável, sem nenhuma relação com o mundo real. Somos “iguais perante a lei, o Estado” e ponto final. Uma norma para além do mundo, intocável e insuperável. Apenas por um acaso negros são a maioria da população carcerária, de moradores de rua, de desempregados.

Em seu texto, Edson Santos até caracteriza bem o tipo de posicionamento do sociólogo Magnoli: “São muitas as razões que impossibilitaram a ascensão social dos negros (...) as teorias racistas de “embranquecimento” da população; o mito da democracia racial brasileira, que conduziu a uma quase total invisibilidade da questão negra; e toda uma herança discriminatória forjada em mais de 350 anos de escravidão.” Porém a saída desta situação proposta pelo ministro chega a ser cínica: “hoje sabemos que a democracia racial é, em verdade, um objetivo a ser alcançado, pois somos uma nação desigual, com os negros na base e os brancos ocupando o ápice da pirâmide econômica. Felizmente, no atual estágio de suas instituições democráticas, nossa sociedade está suficientemente madura para discutir a transformação desta realidade sem incitar o ódio racial ou ocasionar maiores traumas. Basta não perder de vista que o objetivo não é dividir, mas integrar. Fazer com que negros, brancos, indígenas, ciganos e outros segmentos tenham não apenas a igualdade formal dos direitos, mas a igualdade real das oportunidades. O Estatuto da Igualdade Racial, projeto de lei que há mais de uma década tramita no Congresso Nacional, é a mais importante ferramenta para alcançar este objetivo.” A integração proposta por Edson Santos curiosamente casa com um dos argumentos do sociólogo Demétrio Magnoli, quando este chega ao absurdo de acusar o negro de racista, por defender uma separação em relação ao branco, e assim se coloca como um defensor da famosa miscigenação brasileira.

A defesa feita por Magnoli da miscigenação para encobrir a opressão do negro na sociedade é uma política claramente racista, o que pode ser comprovado pelo fato de que era a política do Integralismo. Esta variante brasileira de fascismo pregava justamente a “fusão das raças”, ou seja, a “miscigenação”, que significava no final das contas a assimilação do índio e do negro pelo branco, que constituiria assim o “homem integral”, a “raça superior”, adaptada aos trópicos. Nestes terrenos, defendemos que é o negro, o oprimido, quem deve decidir a política a ser adotada e não o branco opressor.

O ministro do governo finaliza sua nota nos dando uma aula prática e objetiva sobre o objetivo da ideologia racista de Magnoli. O arremedo de Estatuto da Igualdade Racial, sem recursos, sem obrigatoriedade, sem direitos, foi aprovado “graças a um acordo costurado entre todos os partidos presentes”, o Democratas, PSDB, PMDB, ou seja, latifundiários, racistas e burgueses. E continua: “considerando a solidez dos acordos firmados entre o governo, os partidos e a sociedade civil, estou convicto de que, muito em breve, teremos condições de aproximar o Brasil do ideal de Nabuco”. Pode até ser, pois Nabuco era um monarquista, branco, e defendia a reforma social sem violência.

A luta dos negros brasileiros é uma luta social que não pode ter outra forma que não seja a luta política pela destruição do Estado burguês que garante e perpetua a opressão e a desigualdade. Não em oposição, mas complementando, os direitos democráticos e seus avanços também devem ser agarrados com unhas e dentes, principalmente perante a ameaça da extrema direita brasileira.



Matéria publicada no ''Coletivo João Candido''

http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=17810
A importância dos Movimentos de Resistência

Como já define a frase : ‘‘Quem não Resiste, Rasteja’’ é e sobre esta mesma lógica que se fundamenta os atuais movimentos de resistência social. Deve se entender como movimento de resistência, toda mobilização coletiva destinada a combater um poder abusivo é opressor. Os movimentos de resistência são criados como medidas de proteção e luta de determinados grupos que sofrem um deliberado cerceamento da liberdade.

A formação dos movimentos de resistência está na necessidade de interpelar uma força maior. Estes movimentos se originam, nos mais diversos segmentos sejam eles : artísticos, culturais, filosóficos, nacionais, políticos, raciais, religiosos é sexuais. As características de cada movimento de resistência se diferencia principalmente em relação, aos métodos utilizados alguns tendem a utilizar estratégias pacifistas manifestadas, por intermédio de boicotes, desobediência civil e protesto não violentos. Mais outros movimento de resistência preferem se valer de uma postura mais agressiva de imposição, utilizando-se de meios como a luta armada e de ataques violentos. Sempre que existe um sistema baseado na hierarquia de classe, na exploração econômica continua, é na repressão política é inevitável se impedir o surgimento de um movimento de resistência.


Quando trabalhadores decidem formar um sindicato para melhor defender seus direitos é assim exigir mudanças em suas condições de trabalho, está sendo criado um movimento de resistência. O mesmo ocorre quando um grupo marginalizado, de uma sociedade se auto-organiza para buscar um reconhecimento de suas necessidades, agindo de maneira coordenada para modificar a situação desfavorável. A sociedade civil é uma grande geradora, de inúmeros grupos dedicados a promoção de um movimento de resistência. A globalização capitalista também favoreceu o aparecimento de uma grande leva de movimentos de resistência, todos baseados na propugnação ao modelo de integração econômica que está a ser desenvolvido. Exemplos não faltam é estão presentes é ativos em todas as áreas.

O movimento negro se enquadra bem nesta definição, desde o período da escravidão que os descendentes de africanos vem construindo por meio de seqüências de lutas a criação de uma oposição ao controle racista exercidos pelos brancos os objetivos do movimento negro são direcionados a resistir contra os malefícios provocados pelo racismo nas relações sociais é simultaneamente buscar a transformação do modelo de vivência social que altere as desigualdades existentes.

Outro movimento que possui uma conotação de resistência é o formulado pelas populações indígenas, que foram as mais historicamente prejudicadas, pelo processo de colonização perpetuado, pelas grandes metrópoles os movimentos nativos almejam a instaurações de medidas reparatórias que amenizem é eliminem os danos desenvolvidos por séculos de violência e pobreza imposta.

A questão sexual constitui também movimentos de resistência, as mulheres que lutam contra o assédio produzido pelo machismo, os homossexuais que se opõem a homofobia todos, demarcam seus interesses, resistindo fortemente. A religião tendem a fornecer situações a onde se faz necessário o ato de resistir principalmente, devido as perseguições que algumas religiões sofrem. Atualmente um dos movimentos de resistência que mais tem se desenvolvido é o ecológico, impulsionado na defesa é preservação do meio ambiente.

Existem também, movimentos de resistência que assumem proporções maiores principalmente, aqueles que se formam em países que sofre uma ocupação militar de seu território, feita por uma nação estrangeira. Os movimentos de resistência nacionais, procuram obter força suficiente para conseguir expulsar os invasores é assim libertar seus territórios do domínio externo. Em nações que foram submetidas a regimes coloniais, os processos de emancipação sempre ocorreram após uma sistemática atuação de grupos de resistência.

A história humana é basicamente formada pelo ato antagônico, essa realidade foi desenvolvida no passado, continua há existir no presente é certamente permanecerá no futuro. Os movimentos de resistências desempenham funções fundamentais, nessa época a onde a opressão chega a níveis intoleráveis, pois estes representam alternativas é abrem caminhos diferentes daqueles traçados pelos mandatários que controlam o poder é determinam o funcionamento do sistema.

Obama continuador da Guerra imperialista

Barack Obama, o vencedor do Prémio Nobel da Paz 2009, está a planear uma outra guerra para acrescentar ao seu recorde impressionante. No Afeganistão, os seus agentes aniquilam habitualmente festas de casamento, agricultores e trabalhadores da construção com armas tais como os inovadores mísseis Hellfire, os quais sugam o ar para fora dos seus pulmões. De acordo com a ONU, 338 mil crianças afegãs estão a morrer sob a aliança liderada por Obama, a qual permite apenas gastos anuais de apenas US$29 per capital em cuidados médicos.

Semanas após a sua posse, Obama iniciou uma nova guerra no Paquistão, levando a que mais de um milhão de pessoas fugissem das suas casas. Ao ameaçar o Irã o qual a sua secretária de Estado, Hillary Clinton, disse estar preparada para "destruir" – Obama mentiu ao dizer que os iranianos estavam a encobrir uma "instalação nuclear secreta", sabendo que ela já fora relatada à Agência Internacional de Energia Atómica. Em conivência com a única potência com arma nuclear do Médio Oriente, ele subornou a Autoridade Palestina a fim de suprimir o julgamento da ONU de que Israel cometera crimes contra a humanidade no seu assalto a Gaza – crimes tornados possíveis com armas estadounidenses cuja expedição Obama aprovou secretamente antes da sua tomada de posse.

Em casa, o homem da paz aprovou um orçamento militar que excede o de qualquer outro ano desde o fim da Segunda Guerra Mundial enquanto preside a uma nova espécie de repressão interna. Durante a recente reunião do G20 em Pittsburgh, hospedada por Obama, a polícia militarizada atacou manifestantes pacíficos com algo chamado Long-Range Acoustic Device, nunca visto antes nas ruas dos EUA. Montado na torre de um pequeno tanque, ele emite um ruído penetrante enquanto gás lacrimogéneo e gás de pimenta eram disparados indiscriminadamente. Faz parte de um novo arsenal de "munições para controle de multidão" fornecido por empreiteiros tais como a Raytheon. No Pentágono de Obama, controlado pelo "estado de segurança nacional", o campo de concentração da Baía de Guantánamo, o qual ele prometeu encerrar, permanece aberto e as "rendições", assassinatos secretos e tortura continuam.

A guerra mais recente do vencedor do Prémio Nobel da Paz é em grande medida secreta. No dia 15 de Julho Washington finalizou um acordo com a Colômbia que dá aos EUA sete bases militares gigantes. "A ideia", relatou a Associted Press, "é fazer da Colômbia um centro (hub) regional para operações do Pentágono... aproximadamente metade do continente pode ser coberta por um C-17 [transporte militar] sem reabastecimento", o que "ajuda a executar a estratégia de compromisso regional".

Traduzido, isto significa que Obama está a planear uma "reversão" da independência e democracia que os povos da Bolívia, Venezuela, Equador e Paraguai alcançaram enfrentando grandes dificuldades, bem como com uma histórica cooperação regional que rejeitava a noção de uma "esfera de influência" dos EUA. O regime colombiano, o qual apoia esquadrões da morte e tem o pior registo de direitos humanos do continente, recebeu apoio militar dos EUA numa escala que vem logo atrás de Israel. A Grã-Bretanha fornece treino militar. Guiados por satélite militares dos EUA, paramilitares colombianos infiltram-se agora na Venezuela com o objectivo de derrubar o governo democrático de Hugo Chávez, o que George W. Bush não conseguiu fazer em 2002.

A guerra de Obama à paz e à democracia na América Latina segue um estilo que ele já demonstrou no golpe contra o presidente democrático das Honduras, Manuel Zelaya, em Junho. Zelaya havia aumentado o salário mínimo, concedido subsídios a pequenos agricultores, reduzido taxas de juros e diminuído a pobreza. Ele planeava romper um monopólio farmacêutico estado-unidense e fabricar medicamentos genéricos baratos. Embora Obama tenha apelado à restituição do poder a Zelaya, ele recusa-se a condenar os executores do golpe e a chamar o embaixador dos EUA ou as tropas estado-unidenses que treinam as forças hondurenhas determinadas a esmagar uma resistência popular. A Zelaya foi reiteradamente recusada uma reunião com Obama, o qual aprovou um empréstimo do FMI de US$164 milhões para o regime ilegal. A mensagem é clara e familiar: bandidos podem actuar com impunidade em prol dos EUA.

Obama, o suave operador de Chicago via Harvard, foi alistado a fim de restaurar o que chama de "liderança" por todo o mundo. A decisão do comité do Prémio Nobel é a espécie de enjoativo racismo inversos que beatificou o homem por nenhuma outra razão senão a de que é membro de uma minoria e atraente para sensibilidade liberais, se não para as crianças afegãs que ele mata. Isto é o Apelo de Obama. Não é diferente de um apito de cão: inaudível para a maioria, irresistível para os loucos e os estúpidos. "Quando Obama entra numa sala", emocionou-se George Clooney, "você quer segui-lo para algum lugar, seja onde for".

O grande porta-voz da libertação negra Frantz Fanon entendeu isto. Em Os condenados da terra descreveu o "intermediário [cuja] nada tem a ver com transformar a nação: consiste, prosaicamente, em ser a linha de transmissão entre a nação e o capitalismo, desenfreado embora camuflado". Porque o debate político tornou-se tão degradado na nossa monocultura dos media – Blair ou Brown, Brown ou Cameron – raça, género e classe podem ser utilizados como ferramentas de propagada sedutora e diversão. No caso de Obama, o que importa, como Fanon destacou numa outra era, não é a elevação "histórica" do intermediário, mas a classe a que ele serve. Afinal de contas, o círculo próximo de Bush era provavelmente o mais multi-racial da história presidencial. Havia Condoleezza Rice, Colin Powell, Clarence Thomas, todos a servirem devidamente um poder extremista e perigoso.

A Grã-Bretanha teve o seu próprio misticismo semelhante ao de Obama. No dia seguinte à eleição de Blair em 1997, o Observer previu que ele criaria "novas regras à escala mundial sobre direitos humanos", ao passo que o Guardian se rejubilou com o "ritmo ofegante com que as comportas da mudança arrebentam". Quando Obama foi eleito em Novembro último, o deputado Denis MacShane, um devoto dos banhos de sangue de Blair, involuntariamente nos advertiu: "Eu fecho os meus olhos quando ouço este rapaz e podia ser o Tony. Ele está a fazer a mesma coisa que fizemos em 1997".
A Participação do Homem Negro no Vietnã


Entre os testes mais críticos enfrentados por Johnson estão a guerra do Vietnã e a revolução negra interna. O fato de que cérebros do Pentágono tenham decidido enviar dezesseis por cento de soldados negros para o Vietnã é uma indicação de que há um relacionamento estrutural entre estas duas áreas de conflito. E a escandalosa rejeição inicial do Legislativo da Geórgia em dar posse ao representante eleito Julian Bond, porque ele denunciara o papel de agressor dos Estados Unidos no Vietnã, mostra, também, a muito íntima relação entre o modo como seres humanos estão sendo tratados no Vietnã e o tratamento que estão recebendo aqui nos Estados Unidos.Vivemos hoje num sistema que está nas últimas etapas de seu prolongado processo de colapso em escala mundial. Os dirigentes deste sistema têm as mãos muito ocupadas. A injustiça está sendo desafiada em cada esquina e em cada nível. Os governantes sentiram que a grande ameaça são os movimentos de libertação nacional em todo o mundo, e particularmente na Ásia, África e América Latina. Para que possam deflagrar guerras de repressão contra estes movimentos de libertação nacional no exterior, eles precisam ter paz, estabilidade e unanimidade de propósitos internamente. Mas, domesticamente, há um Cavalo de Tróia, um Cavalo de Tróia negro que já despertou para sua condição e agora luta para se levantar. Também ele exige a liberdade.

Qual é o propósito da atenção que os governantes estão agora focalizando sobre o Cavalo de Tróia? Advirá ele de um amor recém-descoberto pelo cavalo, ou será que os governantes necessitam que o cavalo fique quieto, impassivo, e não cause problemas ou embaraços enquanto travam a guerra no Vietnã? Na verdade, os governantes têm necessidade do poder do cavalo nos campos de batalha. O que o homem negro na América deve manter constantemente na lembrança, é que a doutrina da supremacia branca, que é uma parte da ideologia do sistema mundial que a estrutura do poder está tentando preservar, deixa ao homem negro a maior porção de sofrimento e ódio que a supremacia branca serviu de bandeja à população não-branca do mundo durante centenas de anos. O homem branco orientado pela supremacia branca sente menos remorso a respeito do massacre de “crioulos” do que sente em relação ao esmagamento de qualquer outra raça sobre a terra. Este fato histórico incontestável, tomado aos persistentes esforços atuais dos Estados Unidos para cortejar a União Soviética visando a uma aliança contra a China, significa PERIGO para todos os povos do mundo que têm sido vítimas da supremacia branca. Se este namoro for bem sucedido, se os Estados Unidos finalmente forem capazes de fazer par com a Rússia, ou se os Estados Unidos puderem continuar amedrontando a União Soviética para que esta renegue seus compromissos com a solidariedade socialista internacional (que os soviéticos estão sempre apregoando, embora ainda permitindo que os agressores imperialistas continuem a bombardear diariamente a República Democrática do Vietnã do Norte), e se os Estados Unidos forem capazes de lançar sua fúria e poder armado contra o crescente gigante não-branco que é a China (e este é o verdadeiro alvo da política norte-americana no Vietnã e o objetivo da estratégia norte-americana em todo o mundo), caso os Estados Unidos saiam vitoriosos nestas frentes, então será a vez do homem negro novamente encarar o linchador e o incendiário do mundo: e de enfrentá-lo sozinho.

Os americanos negros são muito facilmente iludidos por uns poucos sorrisos e gestos amigos, pela aprovação de umas poucas leis de aparência liberal que são deixadas nos livros, mofando sem serem postas em vigor, e pelos discursos insípidos de um Presidente que é um mestre consumado em tagarelar com os milhares de cantos da sua boca. Tal poesia não garante o futuro seguro da população negra da América. A população negra deve ter uma garantia, deve ter certeza, precisa estar convencida, afastando todas as dúvidas, de que o reinado do terror terminou e que não foi apenas suspenso, e que o futuro de seu povo está garantido. E a única maneira pela qual ela pode assegurá-lo é conquistando a unidade e a comunicação organizada com seus irmãos e aliados em todo o mundo, em bases internacionais. Ela precisa ter este poder. Não existe outra maneira. Qualquer outra coisa é a traição ao futuro de seu povo. O que está envolvido aqui, o que está sendo decidido neste exato momento, é a forma do poder no mundo de amanhã.

O problema racial americano não pode mais ser discutido ou resolvido separadamente. O relacionamento entre o genocídio no Vietnã e a atitude do homem branco em relação aos americanos negros é um relacionamento direto. Tão logo o homem branco resolva seu problema no Oriente, imediatamente voltará de novo sua fúria contra o povo negro da América, seu antigo saco de pancada. A população negra tem sido enganada repetidas vezes, vendida a cada instante pelos falsos líderes. Após a Guerra Civil, a América passou por um período similar ao que estamos vivendo agora. O problema dos negros recebeu ampla atenção. Todos sabiam que o homem negro tivera a justiça negada. Ninguém duvidava de que era tempo para mudanças e que o homem negro devia ser feito um cidadão de primeira classe. Mas a Reconstrução acabou. Os negros que foram elevados a altas posições foram bruscamente chutados para as ruas e aglomerados como gado juntamente com as massas de negros nos guetos e cinturões negros. O linchador e o incendiário receberam licença para matar negros à vontade. Os americanos brancos encontraram um novo nível para o qual expulsaram os negros. E com o auxílio de instrumentos tais como Booker T. Washington, a doutrina da segregação foi pregada firmemente nas costas dos negros. Foram necessários cem anos para avançar com dificuldade daquele nível de esfriamento para a miserável posição que os americanos negros ora ocupam. O tempo está passando. A oportunidade histórica que os acontecimentos mundiais agora apresentam aos americanos negros está se escoando a cada tique-taque do relógio.

Este é o último ato do show. Estamos vivendo numa época em que povos do mundo fazem a tentativa final em direção à liberdade plena e completa. Nunca antes esta condição prevaleceu na História. Antes, existiram sempre redutos mais ou menos articulados e conscientes, porções de classes, etc., mas a época atual é de consciência de massas, quando o mais insignificante homem na rua está em rebelião contra o sistema que lhe negou a vida e que, como ele já compreendeu, é a força que lhe retira a dignidade e o auto-respeito. Contudo, ele está sendo informado de que levará tempo para que se dê início aos programas, para aprovar a legislação, para educar a população branca e aceitar a idéia de que a população negra deseja e merece liberdade. Mas é fisicamente impossível avançar tão rápido quanto o homem negro gostaria. Os homens negros são extremamente sérios quando dizem LIBERDADE AGORA. Mesmo que o homem branco quisesse apagar de vez todos os traços do mal na calada da noite, não seria capaz de fazê-lo porque o sistema econômico e político não o permitirá. Toda a conversa a respeito de ir muito rápido é traiçoeira para o futuro do homem negro.

O que o homem branco deve ser levado a compreender é que o homem negro na América de hoje está totalmente ciente de sua posição e não pretende ser ludibriado novamente com mais cem anos de privação de liberdade. Nem por único momento ou por qualquer preço o homem negro atualmente em rebelião na América estará disposto a concordar com qualquer coisa que não seja a sua completa participação proporcional na soberania da América. O homem negro já chegou à compreensão de que, para ser livre, é necessário lançar sua vida – tudo enfim – na batalha, porque os opressores se recusam a compreender que, agora, lhes é impossível aparecer com outra trama para esmagar a revolução negra. O negro não pode se permitir uma nova tentativa. Não pode se permitir cruzar os braços. Precisa pôr fim a todo o show AGORA e assumir firmemente o controle de suas questões, porque, se não o fizer neste momento, se não conseguir agarrar fortemente as rédeas desta oportunidade histórica, talvez não haja amanhã para ele.

O interesse do homem negro está em ser um Vietnã independente e livre, um Vietnã forte que não seja o fantoche da supremacia branca internacional. Se as nações da Ásia, África e América Latina forem fortes e livres, o homem negro na América estará seguro e livre para viver com dignidade e auto-respeito. É um fato cristalino que enquanto as nações da África, Ásia e América Latina eram algemadas pela servidão colonial, o negro americano era mantido firmemente no torno da opressão e impedido de soltar um gemido de protesto de qualquer efeito. Mas quando estas nações começaram a lutar pela sua liberdade, foi então que os americanos negros fora capazes de aproveitar sua chance; foi, então, que o homem branco dispôs-se a pequenas concessões – forçado pela pura necessidade. A única salvação duradoura para o americano negro é fazer todo o possível no sentido de que as nações africanas, asiáticas e latino-americanas venham a ser livres e independentes.

A este respeito, os negros americanos têm um importante papel a desempenhar. Constituem um Cavalo de Tróia negro dentro da América branca e representam uma parcela de mais de vinte e três milhões de homens. É uma grande força. Mas também serão muito fracos se estiverem se estiverem desorganizados e divididos por disputas internas. Neste momento, está deploravelmente desorganizado; a necessidade urgente, pois, é de união e organização. A unidade está nos lábios dos negros. Hoje estamos à beira de mudanças radicais nesta paisagem miserável de quase mil pequenos grupos e organizações fragmentadas e ineficientes, incapazes de trabalhar juntas por uma causa comum. A necessidade de uma organização que dê uma voz ao interesse comum do homem negro é sentida em cada osso e músculo da América negra.Ontem, após repudiar firmemente o racismo negro e romper seus laços com a organização dos muçulmanos negros, o falecido Malcolm X lançou uma campanha para transformar a luta do homem negro americano, de um tímido apelo em prol dos “direitos civis”, numa exigência universal pelos direitos humanos, com o supremo objetivo de pôr à prova o Governo dos Estados Unidos nas Nações Unidas. Isto e a idéia da Organização da Unidade Afro-americana foram o legado de Malcolm ao seu povo. E a idéia não caiu em terra árida. Já os líderes negros americanos reuniram-se com os embaixadores da África negra durante um almoço na sede das Nações Unidas. A ninguém escapou o significado deste momentoso acontecimento. O fato de terem sido o caso de Julian Bond, sua denúncia de agressão norte-americana no Vietnã e a ação de elementos racistas no legislativo da Geórgia que reuniram os líderes da América e da África negra, é profético de um reconhecimento ainda mais claro, pelos homens negros, de que seus interesses também estão ameaçados pela guerra de repressão norte-americana no Vietnã. Esta harmonização de causas e questões está destinada a dar consecução a outro sonho que o assassinato de Malcolm impediu-lhe de realizar – a Organização da Unidade Afro-americana, ou talvez uma organização similar sob nome diferente. Os americanos negros sabem, agora, que precisam se organizar para alcançar o poder de mudar as políticas externa e interna do governo norte-americano. Precisam fazer com que suas vozes sejam ouvidas a respeito destas questões. Precisam fazer com que o mundo saiba de que lado estão.Não é por casualidade que o governo norte-americano está enviando aqueles soldados negros para o Vietnã. Algumas pessoas pensam que o objetivo da América, ao enviar dezesseis por cento de soldados negros para o Vietnã, é destruir a nata da juventude negra. Mas há um outro resultado importante. Transformando seus soldados negros em carniceiros do povo vietnamita, a América está propagando o ódio contra a raça negra em toda a Ásia. Mesmo os africanos negros acham difícil não odiar os americanos negros, por serem estes tão estúpidos que se deixam manipular para matar outro povo que luta pela liberdade. Os americanos negros são considerados os maiores tolos do mundo por irem para outro país lutar por algo que eles próprios não têm.

Os racistas brancos ficam perturbados com o fato de que povos do mundo inteiro gostam dos americanos negros, mas acha impossível dedicar semelhante afeição calorosa aos americanos brancos. O racista branco sabe que ele é o Americano Mau e quer que o americano negro seja também Mau aos olhos do mundo: a miséria gosta de companhia! Quando pessoas em todo o mundo gritam: “Yankee, Go Home”, visam o homem branco e não o homem negro, que é um escravo recém-libertado. O homem branco está tentando deliberadamente tentando fazer os povos do mundo se virarem contra os americanos negros, porque sabe que se aproxima o dia em que os americanos negros necessitarão da ajuda e do apoio de seus irmãos, amigos e aliados naturais espalhados por todo o mundo. Se através da estupidez, ou seguindo líderes escolhidos a dedo, que são agentes servis da estrutura do poder, os americanos negros permitirem o êxito desta estratégia contra eles, então, quando a hora chegar e precisarem de ajuda, este auxílio e apoio do mundo não existirá. Todo o amor, respeito e boa-vontade internacional de que os americanos negros atualmente gozam no mundo inteiro terão desaparecido. Eles mesmos terão soterrado tudo isso na lama dos arrozais e pântanos do Vietnã.

Trecho extraído do livro Alma no Exílio.
Eldridge Cleaver.



Robert F. Williams é considerado por muitos como sendo o precursor do movimento revolucionário Black Power. Robert F. Williams foi primeiro líder negro da história moderna dos Estados Unidos, a defender publicamente o direito a autodefesa armada para população negra. Suas idéias de resistência armada influenciaram fundamentalmente Malcolm-X é posteriomente o Partido Pantera Negra.

"A mudança social é algo tão fundamental como a opressão racista envolve violência. Você não pode ter progresso aqui, sem violência e revolta, porque é luta pela sobrevivência e por uma luta de libertação para o outro. Sempre os poderes de comando são crueis e implacáveis na defesa de suas posições e suas prerrogativas. Esta não é uma regra abstrata para ser meditada pelos americanos. Essa é uma verdade que foi revelada no nascimento da América, e tem continuado a ser revelada muitas vezes em nossa história ".

trecho do livro em ''Negros com Armas'', publicado por Robert F. Williams em 1962.


Robert Franklin Williams morreu em 15 de outubro de 1996 em Grand Rapids, Michigan. Ele é mais conhecido por sua liderança militante no Movimento pelos Direitos Civis, nos estados do Sul, a onde organizou o povo negro na autodefesa armada contra a Ku Klux Klan. Recusando-se a ficar vinculado a doutrina de "não violência", disse Williams que ele próprio forjou um caminho militante na luta para acabar com a segregação impostas pelas leis Jim Crow.

Nascido em Monroe, Carolina do Norte, em 26 de fevereiro de 1925, Robert F. Williams cresceu ouvindo terrivéis histórias de seus avós, que nasceram durante o período da escravidão.



Durante a 2° Guerra Mundial, era um maquinista é conduziu uma greve des trabalhadores, quando tinha apenas 16 anos.Ele se mudou para Michigan, onde passou a trabalhar na indústria automobilística e lutou na rebelião de Detroit de 1943, quando racistas brancos invadiram as ruas e mataram dezenas de pessoas negras indefesas. Em 1947, casou-se com Mabel Ola Robinson, mulher que também partilhava da mesma dedicação à justiça social é a libertação do povo negro, ambos construíram uma parceria de amor é respeito que durou por toda vida de Robert.

Robert F. Williams fez sua marca na história depois que ele voltou a Monroe, em 1955, após receber alta do Corpo de Fuzileiros Navais. Ele se tornou o presidente da filial da NAACP e saiu para recrutar membros entre os trabalhadores, agricultores, trabalhadores domésticos, é desempregados. Em seu livro, os ''negros com armas'', Williams relembra: "Iniciamos um capítulo que foi único no NAACP por causa do trabalho de composição de classe é uma liderança que não era da classe média. O mais importante, tivemos uma forte representação dos veteranos negros da guerra que voltaram que eram muito militante e não se assusta facilmente . Começamos uma luta no Condado de Monroe, para integrar instalações públicas e tínhamos o apoio de um grupo de pessoas brancas ".



Monroe era a sede da regional sudeste da Ku Klux Klan. Mas isso não impediu Williams de organizar a luta contra a segregação.

Crianças negras em Monroe não eram permitidas na piscina pública reservada apenas aos brancos, e várias crianças negras acidentalmente se afogavam em buracos usados como piscinas improvisadas. Em 1957, Williams pediu para que a administração deixa-se a entrada livre da piscina para as crianças negras um dia por semana. Os funcionários responsáveis pela manutenção da piscina argumetaram que os custos financeiros seriam elevados demais para ser tornar viável essa intenção. Após essa recusa Williams, liderou um grupo para forçar a permissão da entrada para crianças negras na piscina pública após esse ato ele começou a receber ameaças de morte. Em contrapartida Robert Williams começou a organizar esquadrões armados para a autodefesa.



Incomodada com a agitação negra a Ku Klux Klan, logo organizou retalhações, com o objetivo de intimidar a KKK fez incursões dentro da comunidade negra. A organização racista tentava coagir os negro através de ameças de morte. Williams decidiu que era necessário armar o povo: "Nós compramos algumas armas em lojas e mais tarde uma igreja no norte levantou o dinheiro para compramos melhores armas''. Quando descobriu as ações de Robert F. Williams os integrantes da Ku Klux Klan, intensificaram suas atividades de ódio contra a população negra. Robert F.Williams viajou a Nova York, a onde discursou na Mesquita N° 7 a onde Malcolm X era líder com o objetivo de arrecadar dinheiro para compra de armas. Essa abordagem de autodefesa armada se revelou eficaz. Na noite de 5 de outubro de 1957, alguns Klansmens localizados em Newton região, proxima de Monroe foram recebidos por dezenas de homens negros armados. O klansmens em pânico fugiram deseperadamente depois de serem escurasados a KKK jamais voltou naquela região.



O processo do ''beijo'':

Em 1958, Robert Williams liderou a luta para libertar dois jovens negros que havia sido preso por beijarem uma menina branca de nove anos. O caso aconteceu em 28 de outubro, duas crianças negras James Hanôver Thompson de 9 anos de idade é, David Simpson de apenas 7 anos estavam brincando com alguns meninos brancos e meninas brancas. Mais tarde, uma das meninas disse à mãe que um menino negro tinha a beijado, isso foi o suficiente para provocar o caos em Monroe. O pai da menina é moradores se armaram com espingardas é foram procurar os meninos é seus pais. Naquela noite, James Hanôver e David Simpson foram presos sob a acusação de estupro e, alguns dias depois um juiz de menores considerou as crianças culpadas elas foram, condenadas ao reformatório. Os meninos, tiveram negado o direito a serem defendidos por um promotor público.


Para axiliar as duas crianças Robert Williams chamou o conhecido advogado negro dos direitos civis Conrad J. Lynn, que veio de Nova York para assumir o caso. As mães das duas crianças não foram autorizadas a ver os seus filhos. Então Joyce Egginton, um jornalista da Inglaterra, obteve permissão para visitar os meninos é levou as duas mães junto. Egginton contrabandeado uma câmera tirou uma foto das mães abraçando seus filhos. Egginton publicou as fotos do encontro na Europa em reação foi criada uma comissão internacional para defender James Hanôver e David. Houve grandes manifestações em Paris, Roma, Viena é na cidade de Rotterdam a Embaixada dos EUA foi apedrejada. Este foi um constrangimento internacional ao governo EUA. Em fevereiro, os funcionários pediram para as mães dos meninos para assinar um documento uma admissão de culpa com a garantia de que seus filhos seriam liberados. As mães se recusaram a assinar. E então dois dias depois, James Hanôver e David Simpson foram libertados sem nenhum tipo de explicação.


Encontro "Violência com a Violência ":


"Os afro-americanos são militante. E um militante, porque ele defende sua família, sua casa, e sua dignidade. Ele não introduz a violência racista em um sistema social - a violência já está lá, e sempre esteve lá. É precisamente essa violência incontestável que permite que um sistema social racista se perpertue quando as pessoas dizem que se opõem aos negros que recorrem a violência, o que eles realmente querem dizer é que eles se opõem aos negros que se defendem é que contestam o monopólio exclusivo da violência praticado por racistas brancos. "


Trecho do livro ''Negro em armas''.



Robert F. Williams é a resistência armada :


Através de outras luta em Monroe Williams ainda mais ficado mais convencido de que os negros não podiram obter justiça no âmbito do sistema dominante. Em um caso, um homem branco chamado Louis Medlin assaltou é tentou estuprar Mary Ruth Reed, uma mulher negra jovem que estava grávida de oito meses. Quando o júri compostos por brancos absolveu Medlin, Williams disse que se sentia culpado porque ele tinha dito as pessoas a não se vingarem dizendo que o assunto seria tratado legalmente. Williams disse: "A sala estava cheia de mulheres de cor é quando este homem foi absolvido uma mulher se virou e me perguntou : Agora o que você vai fazer? Você abriu as portas para eles. Agora, essas pessoas sabem que podem fazer qualquer coisa contra nós e não há perspectiva de punição nos termos da legislação e isso significa que seremos expostos a essas pessoas e você é responsável. Agora o que você vai fazer?. Eu disse : A ela que, em uma sociedade civilizada a lei é um impedimento contra o forte, que possa tirar proveito dos mais fracos, mas o Sul não é uma sociedade civilizada ... eu disse que no futuro nós defenderiamos nossas mulheres e crianças, as nossas casas e nós mesmo com as nossas armas, que iríamos enfrentar a violência com violência ".


No dia seguinte, o presidente da NAACP Roy Wilkins chamou Williams é perguntou se ele havia feito tal declaração. Williams disse: "Sim, e pretendo repeti-la no rádio e vários programas de televisão nos próximos dias." Algumas horas mais tarde, Williams fez uma aparição na imprensa e repetiu a sua declaração. No dia seguinte, Williams foi suspenso da NAACP por seis meses.



Armas na Piscina :



Preocupado com crescimento da juventude negra na América racista, Williams disse: "Nossas crianças estão crescendo sem sapatos também estão crescendo precisando de um senso correto de direção, isto é algo que eles não podem obter estudando nas escolas de Jim Crow. Havia uma ameaça em Monroe, de adolescente que se envolviam em brigas de gangue. Williams entendia que os adolescentes passaram por graves dificuldades. É natural que em uma sociedade racista os jovens negros não tenham um sentido correto para a vida é por isso acabam entrando para o crime. O vigor da juventude pode ser canalizado para ações construtivas. É simplesmente uma questão de senso comum para que esses jovens negros lutem contra a injustiça racial, em vez de lutar entre si. A morte não faz acepção de linhas de cor, é melhor sangrar por uma causa justa do que a sangrar apenas pela emoção de ver sangue. É certo a se fazer é combater seus verdadeiros inimigos do que rivalizar com irmãos de cor.


Havia uma série de atentados contra a vida de Robert é um dia como o próprio Robert F. Williams dirigia seu carro ao lado de um jovem negro quando colidiu com outro carro dirigido por um branco a batida jogou o carro de Williams para uma vala. Robert F.Williams descreveu aquela situação:

"Após a batida se formou uma multidão que começou a gritar: Que um carro com dois criolos tinha batido no carro de um homem branco. Eles estavam se referindo a nós . Eles estavam gritando, '' Matem esses criolos! Matem esse criolos! coloquem gasolina nesses criolos! e os matem queimados!" Meu acompanhante é eu estava sentado no carro. O homem branco que tinhamos colidido saiu do carro com um taco de beisebol é começou a caminhar em nossa direção é ele estava dizendo, ''criolos por que vocês bateram em meu carro ? Nós não dissemos nada a ele. Apenas ficamos dentro do carro, olhando para ele. Ele vinha em direção ao nosso carro, segurando seu taco de beisebol mas nós ainda não tinhamos dito nada. O que ele não sabiam era que nós estávamos armados.... tinhamos duas pistolas e um carabina no carro. Quando este homem se aproximou ao lado do carro, eu coloquei uma pistola 45 para fora do veículo através da janela é apontei para direção do homem branco e eu continuei há não dizer uma palavra. O homem branco olhou para a pistola é parou de ameaçar. Ele começou a recuar... A multidão começou a atirar pedras em cima da meu carro. Então, eu abri a porta do carro e coloquei um pé no chão e sai do carro segurando uma carabina italiana. "

Um policial chegou até o ocorrido é me ordenou para entreguar as armas : Eu sabia que se fizeste isso a multidão iria linchar a mim e o meu acompanhante. Outro policial que acompanhava a ação sacou seu revólver do coldre. Ele estava esperando para atirar em mim pelas costas. Eles não sabiamos que tinhamos mais de uma arma. O jovem que me acompanhava apontou uma pistola para o policial e disse : que iria matá-lo caso atirem em mim. O policial colocou a arma de volta para o coldre é se afastou.



Em outra situação de extrema tensão Williams marchou com um grupo de homens armados para uma piscina pública a onde havia centenas de pessoas brancas na piscina, inclusive o prefeito de Monroe. A polícia ordenou a Williams e seus seguidores a entregar suas armas, mas eles se recusaram. Mabel Ola Williams, que estava em pé ao lado de seu marido neste confronto, recordou: "Eu sabia que não podia depender da polícia para nos proteger... eu ouvi o chefe de polícia dizer ao meu marido:'' Se você atirar em qualquer uma dessas pessoas brancas, aqui, eu vou matar você! ". E assim eu tinha a minha arma na minha mão é estava diposta a agir caso Robert fosse morto... ".




















Deixando Monroe :

Em 1961, "Cavaleiros da Liberdade" promoviam ações contra a segregação racial nos Estados do Sul. Quando Cavaleiros da Liberdade chegaram ao Monroe, Williams se recusou a tomar seu juramento de não-violência, mas pediu ao povo para apoiá-los. Em agosto, Cavaleiros da Liberdade começaram um piquete no tribunal Monroe é dentro de poucos dias, os Cavaleiros da Liberdade foram violentamente atacados. Segundo Williams:


"No início, as vítimas eram todos cavaleiros da liberdade mas logo os negros foram atacados indiscriminadamente . Eles estavam se concentrando para um ataque contra nossa comunidade .... pessoas Brancas começaram a dirigir seus carros através de nossa comunidade, e eles estavam gritando e gritando e muitos tinham armas de fogo. Muitas das pessoas de cor começaram a se armar, para defender a comunidade . Robert F. Williams passou a receber telefonemas de pessoas pedindo para entrarem nos grupos armados de defesa da comunidade.
Mae Mallory um apoiador de Williams foi indiciado sob a acusação de seqüestrar um casal branco . Williams viajou de Monroe e quando voltou recebeu a noticías que a polícia usou sua viagem como uma desculpa para brutalizar a comunidade aterrorizando milhares de negros, confiscando armas e emitido prisões arbitrárias.




Indo para o Exílio :

Com sua populariedade em alta Robert F. Williams, acabou chamando a atenção das autoridades especialmente do FBI, que passou a fazer de tudo para barrar suas ações e neutralizar sua liderança. As perseguições se tornaram implacáveis até que Robert F. Williams ao lado de sua esposa Mabel decidiu partir para o exílio em Cuba. A partir disso, eles organizaram "Rádio Livre Dixie", a onde se estimula os negros a autodefesa armada é durante o mesmo tempo no exílio Williams publicava o boletim ''O Cruzado'', a onde expunha seus objetivos políticos.
Williams disse: "Quando os racistas me forçoram ao exílio involuntariamente eles me levaram para um maior campo de batalha... Nós passamos a identificar a nossa luta de libertação com a luta dos nossos irmãos na África, ea luta dos oprimidos da Ásia e da América Latina.





















Em 1965, Williams deixa a ilha de Cuba e partiu em direção a China a onde passaria viver junto com sua esposa. Robert F. Williams desenvolveu uma grande, aproximidade com o governo da República Popular da China, essa afinidade era tamanha que ele se encontrava pessoalmente com o líder máximo Chinês Mao Tsé Tung. Como medida de apoio Mao Tsé-Tung emitiu uma declaração formal de apoio à causa da libertação dos Afro-americanos. Nessa mesma época Robert F. Williams presenciou o início da Grande Revolução Cultural Proletária.




Robert Williams não era comunista, ele foi uma nacionalista negro revolucionário - e foi a partir deste ponto de vista de que ele apoiou as lutas em todo o mundo contra o imperialismo. Como o presidente internacional do Movimento de Ação Revolucionária (RAM), ele viajou para países da África e Ásia. Durante a Guerra do Vietnã, ele viajou para o Vietnã do Norte é se encontrou com Ho Chi Minh e passou a transmitir propaganda anti-guerra para soldados negros do exército Norte-americano que lutavam no Vietnã.



Em 1969, Robert F. Williams retornou aos Estados Unidos com sua família e se instalou em Detroit no estado de Michigan . Em 1976 Robert acabaria sendo extraditado para Carolina do Norte, a onde ele possuía diversos processos judiciais, porém foi formado um comitê de defesa liderado pela intelectual negra Gwendolyn Midlo Hall, após uma grande pressão todas as acusações que Robert tinha foram removidas.

Robert Williams nunca desistiu dos objetivos da libertação negra é na luta contra o imperialismo e até sua morte, ele continuou a estar envolvido em lutas locais contra a brutalidade policial e a discriminação na educação.



Robert F. Williams veio a falecer em decorrência de um Linfoma de Hodgkin, um tipo de cancêr também conhecido como doença de Hodgkin. Antes de morrer ele publica ''God Lay Sleeping: The Autobiography of Robert F. Williams'', a onde ele narra a toda a sua trajetória de vida atrelada ao combate a justiça. Após sua morte centenas de pessoas participaram, de uma homenagem em Detroit é Nova York. Muitas pessoas que conheciam e lutaram ombro a ombro com a Williams falaram sobre sua caminhada militante. Rosa Park considera a mãe do movimento dos direitos civis, estava presente no funeral, é saudou Robert F. Williams como um herói que dedicou sua vida inteira a lutar por uma causa justa.

Carl Dix um contemporâneo de luta de Robert fez uma declaração em homenagem ao companheiro falecido :

"Robert F. Williams dedicou sua vida à luta contra a opressão do povo negro e por sua libertação... Há muito para aprendermos hoje olhando profundamente para legado Williams. Podemos aprender com o seu espírito de determinação. podemos aprender com a forma inovadora que ele organizou o povo para lutar contra os opressores. Hoje, existe uma vigorosa exploração nos EUA o sistema provoca a opressão do povo negro, é também de outros povos que também, enfrentam essa mesma situação. Este não é um tempo para descansar e ver se este sistema irá finalmente fazer o certo pelo povo. O certo é que o sistema e bastante errado aqui é ao redor do mundo é que ele nunca servirá aos interesses do povo. "





*Por Kassan












SAUDAÇÕES AO PARTIDO PANTERA NEGRA





Nesse artigo eu mostrarei os motivos que me levam a admirar de forma tão profunda Panteras Negras. Eu tinha aproximadamente 15 anos quando passei a ter conhecimento a respeito da história do Black Panther Party for Self-Defense. De início fiquei impressionado, pela postura revolucionária adotada pelos membros dessa organização política, me surpreendeu a forma como eles lutavam, os Black Panthers romperam com os limites impostos pela realidade opressiva é tiveram a coragem, determinação é ousadia de lutarem pela construção de uma nova sociedade. Os Panteras Negras foram revolucionários impestuosos, que apesar das limitações, perseguições é do curto período de ação conseguiram abalar a estrutura de poder racista existente nos Eua. O Partido Pantera Negra existiu nos Estados Unidos, mais o espólio revolucionário por ele deixado deve ser admirado, reconhecido é respeitado por todos os negros do mundo que estejam comprometidos em lutar pela transformação social. O fato de se acreditar em líderes é movimentos revolucionários do passado não demonstra, um sinal de anacronismo, é sim de compromisso. Deve sim existir uma saúdavel admiração, mais que não deve ser transformada em um culto ufanista, os Panteras não foram perfeitos e cometeram, erros é falhas mais isso não os desqualifica como genuínos revolucionários do povo. O fato é que a perspectiva de inércia criada pela Pós-modernidade deve ser ignorada, enquanto houver uma situação desagrável e contrária a liberdade e ao bem-estar é preciso lutar. Enquanto a miséria, exploração, opressão é pobreza continuarem a limitar a existência do povo negro a crença na revolução não deve ser abandonada. Por isso não é tolice a afirmação : Partido Pantera Negra é eterno!









O COMEÇO DE TUDO






Eu estudei e continuo a estudar a história marcante deixada pelos Panteras Negras, isso faz com que eu tenha por este movimento um profundo sentimento de fascinação. Absolutamente tudo que havia no Partido Pantera Negra, eu aprecio desde a ideologia de luta, ao discurso enérgico, a postura de enfrentamento ao sistema, me atrai também a estética os cabelos mantidos grandes como forma de afirmação de orgulho o vestuário que passava a idéia de unidade, apesar de não ter vivido naquela época me impressiona a idéia de negros revolucionários lutando efetivamente contra a opressão. Os Panteras Negras assim como o grande Malcolm-X foram determinantes na formação de minha mentalidade política.



































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Até passar a conheçer o exemplo, desse partido a minha percepção de luta contra o racismo era limitada é deficiente eu não conseguia entender que o racismo era algo instriseco ao capitalismo na minha prematura é alienada avaliação eu considera o racismo em si como uma espécie de ‘‘erro’’ moral um desvio de caráter de pessoas ‘‘maldosas.’’ Acreditava em idéias inocentes do tipo ‘‘Somos todos filhos de Deus criados iguais.’’ ‘‘ Racismo é burrice.’’ Para mim o racismo poderia ser resolvido através de duas formas a primeira por meio da reeducação dos indivíduos racistas mostrando a essas pessoas que ‘‘o racismo não compensa mata a alma e envena’’ é a segunda seria feita com a integração compulsória a onde negros é brancos viveriam harmoniosamente, para mim isso seria o suficiente para eliminar o racismo e garantir a igualdade a todos seres humanos.










































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No mesmo tempo em que eu tomava conhecimento sobre os Panteras Negras eu também estudava a trajetória de Malcolm-X, Nelson Mandela, Steve Biko todos esse líderes tinha um fator ideológico que os aproximava além de combaterem o racismo, ambos os líderes também identificavam o sistema capitalista como um pilar de sustentação do racismo ‘‘capitalismo e racismo são as faces de uma mesma moeda’’ era a frase pronunciada por esses comandantes revolucionários.

Os Panteras Negras também agiam sobre essa mesma lógica de pensamento, lutar contra o racismo também significava lutar contra o capitalismo. Essa contribuição dada pelos Panteras Negras me foi arrebentadora e ajudou a definir minha oposição radical ao regime de exploração capitalista.





LÍDERES INSPIRADORES





Huey Newton (1944-1989) : Um dos fundadores da organização foi um símbolo de determinação é força e considerado por muitos como sendo o Pantera Negra mais importante. Huey foi o ministro de defesa do Partido isso fez dele o responsável por erguer a estrutura do partido dando a ele seu conteúdo combativo. Assim como todo verdadeiro revolucionário, Huey Newton foi implacavelmente reprimido, teve sua vida colocada em risco em diversos momentos, se exiliou em Cuba e por uma infelicidade das circunstâncias teve a vida arruinada pelo consumo de drogas foi assassinado em 1989 por um traficante enquanto amargava o ostracismo.







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Bobby Seale (1936) : Outro fundador do partido um homem de feitos incríveis antes de se unir a Huey Newton, Bobby Seale já tinha experiência no campo do ativismo político, como já possuía instruções de militância após a criação do partido, Bobby Seale foi colocado no posto de presidente. Um dos episódios de maior revelância desse Pantera Negra, em foi durante um julgamento a onde era réu seu comportamento diante o júri foi tão agitado que o juiz mandou amarrar e vetar a boca de Bobby Seale com um pano para que ele não pertuba-se a sessão do julgamento. Apesar do fim do partido, Bobby Seale ainda continua a lutar pela comunidade negra ele inclusive chega a escrever livros com receitas de churrasco é toda renda obtidas com as vendas ele destina a projetos comunitários.





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Eldridge Cleaver (1935 - 1998): Com certeza Eldridge Cleaver foi um dos Panteras Negras mais radicais, defensor intransigente da luta armada no período em que esteve no Partido foi o ministro da informação e editor do jornal oficial do partido o ‘‘ Black Panther’’ a vida de militante de Cleaver se iniciou antes da criação do Partido Pantera Negra sua jornada de luta começa ainda na prisão a onde influenciado por Malcolm-X se torna muçulmano membro da Nação do Islã, nesse mesmo tempo de cárcere escreve o livro ‘‘Soul in Ice’’ que foi um manifesto político e também sua autobiografia. Eldridge Cleaver manteve uma grande influência intelectual entre os Panteras, mais Cleaver não se manteve na trajetória revolucionária perseguido pelas autoridades teve que se exilar com sua esposa Kathele Cleaver em países como Argelia,China,Coreia do Norte, França,Vietnã, após retornar para os EUA nos anos 1980 Eldridge Cleaver da uma quinada em sua vida passa a rejeitar as idéias revolucionárias acaba se separando se sua esposa, converte-se ao Mornomismo torna-se dependente de drogas é politicamente passa a ser um ferrenho ativista do Partido Republicano, morreu em 1998 após um ataque cardíaco.




Fred Hampton (1948- 1971) : Um verdadeiro mártir do Partido Pantera Negra, revolucionário que foi covardimente morto pelo governo Norte-americano. Fred Hampton comandou brilhantemente os Panteras Negras em Ilinois. Exercendo uma carismática liderança em pouco tempo Fred Hampton se tornou referência no movimento de libertação negra, seus esforços eram tamanhos que seu nome estava no topo da lista de inimigos do Estado. Em 4 de dezembro de 1969 através de uma ação brutal uma unidade da polícia de Ilinois comandada por agentes do FBI executou Fred Hampton enquanto este dormia sem dar a ele o direito a defesa juntamente com Fred Hampton, Mark Clark outro Pantera Negra seria assassinado na mesma ação. Sua morte seria usada como forma de intimidação para outros Panteras Negras mais a morte de Hampton deve um efeito contrário, ela serviu para inspirar os militantes do partido a reforçarem o compromisso com a revolução.




George Jackson( 1941-19710) : Como esse mesmo Pantera Negra afirmou em toda a sua vida ele nunca teve um dia de paz, apenas lendo alguns parágrafos de sua biografia logo se percebe que George Jackson desde sua infância foi exposto as mais árduas situações. Aos 18 anos foi preso por roubar 70 dólares de um posto de gasolina julgado foi condenado a passar 1 ano mais esse tempo foi estendido por mais de 11 anos. Durante sua estadia na prisão George Jackson ajudaria a criar a Black Familly Guerrilla um grupo dedicado a organizar a luta dos negros no sistema carcerário. Enquanto ainda esteve preso escreveu o livro ''Soledad Brothers'' a onde expoêm suas experiências, é suas visões do efeito do racismo nas prisões, o livro foi dedicado a dois prisioneiros negros que formam mortos por guardas brancos na prisão de San Quentin. Faltando apenas um dia para ser libertado George Jackson lidera uma rebelião em San Quentin o que o levaria a ser morto a mando do Estado que temia o risco de sua liberação.

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Stokely Carmichael (1941- 1998): A verdade é que Stokely Carmichael também conhecido por Kwame Ture já havia dado início a seu radicalismo revolucionário anteriormente ao surgimento dos Panteras Negras enquanto era presidente da SNCC ( Student Nonviolent Coordinating Committee), organização estudantil negra que posteriomente se fundiria aos Panteras Negras. Stokely Carmichael despontou como uma liderança empolgante que por suas idéias extremas chegaram a desagradar o Pastor Martin Luther King. Stokely foi o principal responsável por afirmar a expressão ‘‘Black Power’’ usada para definir seu pensamento agressivo de luta contra o racismo que incluiam até o uso da violência essa expressão também foi nome de seu livro, a onde ele incitava os negros a lutarem pela revolução, aceitando o convite feito por Huey Newton é Bobby Seale ele seria o presidente de honra do partido mais devido a divergência, ele abandoraria o partido principalmente por causa de sua rejeição a formação de alianças que os Panteras Negras mantinham com organizações compostas por militantes brancos. Stokely Carmichael iria para exílio na África mudaria o seu nome para Kwame Ture em homenagem a dois grandes líderes revolucionários africanos Kwame Nkrumah é Sekú Ture. Stokely Carmichael- Kwame Ture passaria a viver em Gana a onde se tornaria um dos maiores teóricos do movimento Pan-africanista. Morreu em 1998 vitimado por um cancêr na próstata.









Kathleen Cleaver (1945) : A maioria das pessoas que cita o nome de uma militante feminina do partido diz o Angela Davis ou Afenir Shakur com certeza ambas tem um destacado valor, mais eu citarei o nome Kathleen Cleaver uma linda é inteligente mulher que atrelou sua vida a libertação negra, se uniu aos Panteras depois de se convencer que o uso da luta não-violenta não tinha efeito esperado Kathleen, se casa com Eldridge Cleaver é seria sua esposa é também mãe de seu filho mais velho e o único do casal, Kathleen Cleaver viveu a seu lado de seu marido durante o exílio, ao retornar para EUA se separa de Eldridge. Cleaver. Após o regresso Kathleen Cleaver fez mestrado em História na universidade de YALE é atualmente continua a manter seu ativismo realizando conferências, palestras. Remover formatação da seleção










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Armados contra o sistema



Analisando o movimento criado pelos Panteras Negras e autodefesa outro fato que tambem me surpreendeu foi o uso de armas e o discurso em defesa ao direito a autodefesa armada, em minha ingenuidade política eu não conseguia entender os motivos que levaram os militantes do partido a utilizarem armas de fogos eu reprovava essa postura. O Partido Pantera Negra estava a seguir os passos deixado por Malcolm-X. Por meio de um estudo das condições em que se encontravam os Panteras Negras consegui perceber é entender as motivações que fizeram os Panteras, a promoverem a autodefesa armada, foi necessário manter tal prática armamentista pois as comunidades negras eram alvos constantes da brutal violência exercida pela polícia, seria inocência exigir qualquer tipo de mudança social sem estar preparado para lutar por todos meios possíveis. Na mesma carreira que aceitava o conceito de autodefesa armada entendia também melhor o significado da chamada violência revolucionária que é um legítimo instrumento usado pelos oprimidos em sua luta contra os opressores. Mais os Panteras Negras foram muito mais do que um grupo de negros munidos de armas, a verdadeira revolução que o Partido Pantera Negra planejou não seria simplesmente armada, seria cultural. O partido mostrou para povo negro a importância da auto-estima social, consciência política, do sentimento de comunidade.

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All THE PEOPLE POWER!



Outro fato de admirável consideração sobre os Panteras Negras foi a relação que desenvolveram com a comunidade negra. O partido se colocou na posição de prestador de serviço do povo negro ao invés de tentar marcar sua presença por meio da força os Panteras Negras sempre atuaram de maneira a obter o apoio consciente das massas, devido ao abando que as comunidades negras sofriam por parte do poder estatal que se negava em estender serviços sociais básicos, o partido desenvolveu atividades comunitárias que incluiam a distribuição de almoços gratuitos para crianças, criação de centro de assistência médica, promoções de eventos culturais é de lazer é também não se pode esqueçer o trabalho que eles tinham protegendo os bairros da ação truculenta da polícia. O principal instrumento usado pelo partido para ganhar respaldo dentro das comunidades a onde operava foi por meio de um programa dividido em 10 pontos, esse programa era um conjunto de reivindicações sociais para população negra. O programa foi fundamental para dilatação da populariedade do partido. Essa é uma valiosa lição que os Panteras Negras deixaram para o movimento negro atual, a importância em se fazer um trabalho de base junto ao próprio povo não agindo de maneira arrogante é prepotente, sempre dando enfasê a pequenas tarefas cotidianas. Existe uma concepção muito estereotipada do que vem a ser um revolucionário, alguns identificam um revolucionário apenas como um indivíduo armado e uniformizado que trava uma luta armada, contra um sistema opressor. Mas os Panteras Negras nós mostraram que, uma revolução verdadeira só é possível apenas com a participação do povo, não importar o quanto seja politizado um líder, ou radical seja um vanguarda política uma revolução nasce, cresce é vence somente por intermédio de um povo consciente.



Existem perguntas recorrentes a respeito dos motivos que levaram Partido Pantera Negra a ser desmantelado. Por que os Panteras Negras que contavam com apoio popular caíram diante a repressão? Bem há varias explicações as principais são : desentendimentos internos, dissidências, Cointelpro.




Os desentendimentos internos se deram por meio de disputas entre alguns líderes, quanto mais crescia a força do partido também crescia o sentimento de ego de alguns líderes que se viam mais importantes do que outros integrantes do partido. A ambição pelo comando levou a discórdia que resultou na ausência de uma direção clara em busca de objetivos. Na falta de uma coordernação a tendência foi a queda da capacidade revolucionário do partido. Mais isso não é um caso excluviso dos Panteras, durante uma processo de luta revolucionária é comum acontecerem divergências políticas a guerrilha no Brasil é um exemplo, a onde brigas e mais brigas impossibilitaram o prosseguimento de um movimento vitorioso contra a ditadura.





Dissidências: As evasões do partido foram motivadas principalmente, pela falta de uma de uma pespectiva política revolucionária, de alguns membros que se desmotivaram a lutar de forma radical é que preferiram outras vias para lutar pela comunidade negra. Como já foi dito os desentendimentos provocaram rachas internos a capacidade de atuação do partido foi fragmentada. Um exemplo é de Wesley Cook um ativo membro do partido na Philadelphia jornalista brilhante responsável por editar é distribuir o jornal do partido nas comunidades sua intelectualidade era impressionante, por ser extremamente dedicado a estar a serviço dos oprimidos recebeu a alcunha de ‘‘A voz dos sem voz’’ . Apesar de realizar com eficiência sua tarefa Wesley Cook depois de diversas disputas internas ele abandona o partido deixando uma laguna enorme, casos como de Wesley Cook se repetiram diversas vezes até o fim definitivo da organização. Wesley Cook é o nome original do atual prisioneiro político Mumia Abu Jamal, que se encontra no corredor da morte condenado, devido a suas crenças revolucionárias.


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Cointelpro : O nome do programa de contra-inteligência criado pelo FBI, para analisar, investigar, é neutralizar atividades consideradas radicais é subversivas pelo governo, sua é origem e anterior ao surgimento dos Panteras o Cointelpro foi criado sobre o clima paranóico da guerra fria na luta contra o comunismo. Devido a sua populariedade é objetivos revolucionários os Panteras Negras foram alvos privilegiados da repressão institucionalizada pelo Cointelpro, o diretor do FBI na época John Edgar Hoover considera pessoalmente o Partido Pantera Negra a principal ameaça interna a segurança dos Estados Unidos. Os militantes do partido eram vistos como elementos a serviço do comunismo internacional, aliado dos inimigos externos dos EUA como a China Maoísta , União Soviética é o Vietnã comunista. O Cointelpro agiu criando informações distorcidas a respeito dos Panteras Negras, forjando falsas provas para incriminar líderes, introduzindo informantes, porém a arma mais terrível que o Cointelpro usou contra os Panteras, foi a guerra ‘‘química’’ isto é o próprio Cointelpro foi responsável pela introdução maciça de drogas como cocaína, heroínas nas localidades a onde o partido estava estabelecido, a distruição e o consumo em grandes quantidades de drogas provocou uma degeneração do tecido social das comunidades negras milhares de jovens tiveram as vidas destruídas pelo vício, muitos Panteras Negras se tornaram usuários e acabaram ficando inutilizados para a luta. Os efeitos dessa prática se mantém até os dias atuais a onde as comunidades negras continuam a serem arrassada pela presença do trafíco de drogas.




Algo que deve ser analisado é que apesar de contar com a simpatia da população negra, o partido nunca consegui tornar-se efetivamente uma organização de massa, os números de membros do Partido Pantera Negra nunca foram superior a mais de 8 mil integrantes. Isso é uma quantidade expressiva, mais muito pequena se comparado ao fato que na época em que o partido atuava os Eua tinha uma população negra estimada em cerca de 22 milhões de pessoas.



Passado quase 5 décadas desde o surgimento é desaparecimento dos Panteras Negras, as condições de vida da população negra dos Eua evoluiram positivamente em algumas áreas, mais a desigualdade social em relação aos brancos ainda permanece ativa e continua a ser uma marca profunda de divisão, o movimento negro Norte-americano, continua a ser operante apesar de não mais agir sobre a mesma retórica revolucionária do passado. A verdade é que a eleição do Democrata Barack Obama teve mais um efeito moral do que político para os negros tendo em vista que desde a subida ao poder de Obama a situação real da comunidade negra não se alterou em nada especialmente no fator econômico. O Partido Pantera Negra continua a gerar sentimentos de nostalgia naqueles que tem se postam contra o racismo e o capitalismo. Uma organização que obteve essa importância histórica ainda continua a ser uma reserva de inspiração.

Movimento negro brasileiro: alguns apontamentos

históricos.

RESUMO

A finalidade deste artigo é fazer alguns apontamentos acerca de um tema sub-explorado na historiografia brasileira: a trajetória do movimento negro organizado durante a República (1889-2000), com as etapas, os atores e suas propostas. A idéia central é demonstrar que, em todo o período republicano, esse movimento vem desenvolvendo diversas estratégias de luta pela inclusão social do negro e superação do racismo na sociedade brasileira.



Introdução :

A finalidade deste artigo é fazer alguns apontamentos acerca de um tema sub-explorado na historiografia brasileira: a trajetória do movimento negro organizado durante a República (1889-2000), com as etapas, os atores e suas propostas. Para tanto, amparar-se-á, preferencialmente, na produção intelectual das lideranças negras (José Correia Leite, Francisco Lucrécio, Abdias do Nascimento, Hamilton Cardoso, Lélia Gonzalez, dentre outras), por meio de depoimentos, memórias e textos ensaísticos. A idéia central é demonstrar que, em todo o período republicano, esse movimento vem empreendendo, dinamicamente, diversas estratégias de luta a favor da população negra.

A partir das reflexões de Ilse Scherer-Warren, pode-se caracterizar movimento social como um "grupo mais ou menos organizado, sob uma liderança determinada ou não; possuindo programa, objetivos ou plano comum; baseando-se numa mesma doutrina, princípios valorativos ou ideologia; visando um fim específico ou uma mudança social". Mas, nesse cenário, como pode ser definido movimento negro? Movimento negro é a luta dos negros na perspectiva de resolver seus problemas na sociedade abrangente, em particular os provenientes dos preconceitos e das discriminações raciais, que os marginalizam no mercado de trabalho, no sistema educacional, político, social e cultural. Para o movimento negro, a "raça’’,e, por conseguinte, a identidade racial, é utilizada não só como elemento de mobilização, mas também de mediação das reivindicações políticas. Em outras palavras, para o movimento negro, a "raça" é o fator determinante de organização dos negros em torno de um projeto comum de ação.
Outra definição de movimento negro é aquela atribuída por Joel Rufino dos Santos, compreendendo.


Todas as entidades, de qualquer natureza, e todas as ações, de qualquer tempo [aí compreendidas mesmo aquelas que visavam à autodefesa física e cultural do negro, fundadas e promovidas por pretos e negros. Entidades religiosas [como terreiros de candomblé, por exemplo, assistenciais [como as confrarias coloniais], recreativas como "clubes de negros", artísticas, como os inúmeros grupos de dança, capoeira, teatro, poesia, culturais [como os diversos "centros de pesquisa" e políticas, como o Movimento Negro Unificado; e ações de mobilização política, de protesto anti-discriminatório, de aquilombamento, de rebeldia armada, de movimentos artísticos, literários e 'folclóricos' – toda essa complexa dinâmica, ostensiva ou encoberta, extemporânea ou cotidiana, constitui movimento negro.

Contudo, esta definição de Rufino dos Santos só faz sentido do ponto de vista militante, pois ela é, no mínimo, problemática em uma abordagem historiográfica. Se se consideram como movimento negro todos os movimentos que organizem em qualquer tempo e aspecto sob qualquer rubrica descendentes de africanos no Brasil, neste artigo estariam faltando, entre outros temas, a história das irmandades negras, dos terreiros de candomblé, da capoeira ou das escolas de samba. É de movimento político de mobilização racial (negra) que será tratado aqui, mesmo que este movimento assuma em muitos momentos uma face fundamentalmente cultural.


Primeira fase do Movimento Negro organizado na República (1889-1937): da Primeira República ao Estado Novo.

Um ano após a abolição da escravatura, foi proclamada a República no Brasil, em 1889. O novo sistema político, entretanto, não assegurou profícuos ganhos materiais ou simbólicos para a população negra. Ao contrário, esta, segundo Andrews, foi marginalizada,
seja politicamente em decorrência das limitações da República no que se refere ao sufrágio e as outras formas de participação política; seja social e psicologicamente, em face das doutrinas do racismo científico e da "teoria do branqueamento"; seja ainda economicamente, devido às preferências em termos de emprego em favor dos imigrantes europeus.


Para reverter esse quadro de marginalização no alvorecer da República, os libertos, ex-escravos e seus descendentes instituíram os movimentos de mobilização racial negra no Brasil, criando inicialmente dezenas de grupos (grêmios, clubes ou associações) em alguns estados da nação.



Em São Paulo, apareceram o Clube 13 de Maio dos Homens Pretos (1902), o Centro Literário dos Homens de Cor (1903), a Sociedade Propugnadora 13 de Maio (1906), o Centro Cultural Henrique Dias (1908), a Sociedade União Cívica dos Homens de Cor (1915), a Associação Protetora dos Brasileiros Pretos (1917); no Rio de Janeiro, o Centro da Federação dos Homens de Cor em Pelotas/RG, a Sociedade Progresso da Raça Africana (1891); em Lages/SC, o Centro Cívico Cruz e Souza (1918). Em São Paulo, a agremiação negra mais antiga desse período foi o Clube 28 de Setembro, constituído em 1897. As maiores delas foram o Grupo Dramático e Recreativo Kosmos e o Centro Cívico Palmares, fundados em 1908 e 1926, respectivamente. De cunho eminentemente assistencialista, recreativo e/ou cultural, as associações negras conseguiam agregar um número não desprezível de "homens de cor", como se dizia na época. Algumas delas tiveram como base de formação "determinadas classes de trabalhadores negros, tais como: portuários, ferroviários e ensacadores, constituindo uma espécie de entidade sindical". Pinto computou a existência de 123 associações negras em São Paulo, entre 1907 e 1937. Já Muller encontrou registros da criação de 72 em Porto Alegre, de 1889 a 1920, e Loner, 53 em Pelotas/RS, entre 1888 e 1929, Havia associações formadas estritamente por mulheres negras, como a Sociedade Brinco das Princesas (1925), em São Paulo, e a Sociedade de Socorros Mútuos Princesa do Sul (1908), em Pelotas.


Simultaneamente, apareceu o que se denomina imprensa negra: jornais publicados por negros e elaborados para tratar de suas questões. Para um dos principais dirigentes negros da época, José Correia Leite, "a comunidade negra tinha necessidade de uma imprensa alternativa", que transmitisse "informações que não se obtinha em outra parte". Em São Paulo, o primeiro desses jornais foi A Pátria, de 1899, tendo como subtítulo Orgão dos Homens de Cor. Outros títulos também foram publicados nessa cidade: O Combate, em 1912; O Menelick, em 1915; O Bandeirante, em 1918; O Alfinete, em 1918; A Liberdade, em 1918; e A Sentinela, em 1920. No município de Campinas, O Baluarte, em 1903, e O Getulino, em 1923. Um dos principais jornais desse período foi o Clarim da Alvorada, lançado em 1924, sob a direção de José Correia Leite e JaymeAguiar. Até 1930, contabiliza-se a existência de, pelo menos, 31 desses jornais circulando em São Paulo. A imprensa negra conseguia reunir um grupo representativo de pessoas para empreender a batalha contra o "preconceito de cor", como se dizia na época. Surgiram jornais dessa mesma natureza em outros estados, como a Raça (1935), em Uberlândia/MG, o União (1918), em Curitiba/PR, O Exemplo (1892), em Porto Alegre/RS, e o Alvorada, em Pelotas/RS. Este último – publicado com pequenas interrupções de 1907 a 1965 – foi o periódico da imprensa negra de maior longevidade no país.


Esses jornais enfocavam as mais diversas mazelas que afetavam a população negra no âmbito do trabalho, da habitação, da educação e da saúde, tornando-se uma tribuna privilegiada para se pensar em soluções concretas para o problema do racismo na sociedade brasileira. Além disso, as páginas desses periódicos constituíram veículos de denúncia do regime de "segregação racial" que incidia em várias cidades do país, impedindo o negro de ingressar ou freqüentar determinados hotéis, clubes, cinemas, teatros, restaurantes, orfanatos, estabelecimentos comerciais e religiosos, além de algumas escolas, ruas e praças públicas. Nesta etapa, o movimento negro organizado era desprovido de caráter explicitamente político, com um programa definido e projeto ideológico mais amplo.


Na década de 1930, o movimento negro deu um salto qualitativo, com a fundação, em 1931, em São Paulo, da Frente Negra Brasileira (FNB), considerada a sucessora do Centro Cívico Palmares, de 1926. Estas foram as primeiras organizações negras com reivindicações políticas mais deliberadas. Na primeira metade do século XX, a FNB foi a mais importante entidade negra do país. Com "delegações" – espécie de filiais – e grupos homônimos em diversos estados (Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Bahia), arregimentou milhares de "pessoas de cor", conseguindo converter o Movimento Negro Brasileiro em movimento de massa. Pelas estimativas de um de seus dirigentes, a FNB chegou a superar os 20 mil associados. A entidade desenvolveu um considerável nível de organização, mantendo escola, grupo musical e teatral, time de futebol, departamento jurídico, além de oferecer serviço médico e odontológico, cursos de formação política, de artes e ofícios, assim como publicar um jornal, o A Voz da Raça.


Naquela época, as mulheres negras não tinham apenas importância simbólica no movimento negro. Segundo depoimento do antigo ativista Francisco Lucrécio, elas "eram mais assíduas na luta em favor do negro, de forma que na Frente [Negra] a maior parte eram mulheres. Era um contingente muito grande, eram elas que faziam todo movimento". Independentemente do exagero de Lucrécio, cumpre assinalar que as mulheres assumiam diversas funções na FNB. A Cruzada Feminina, por exemplo, mobilizava as negras para realizar trabalhos assistencialistas. Já uma outra comissão feminina, as Rosas Negras, organizava bailes e festivais artísticos.


Em 1936, a FNB transformou-se em partido político e pretendia participar das próximas eleições, a fim de capitalizar o voto da "população de cor". Influenciada pela conjuntura internacional de ascensão do nazi-fascismo, notabilizou-se por defender um programa político e ideológico autoritário e ultranacionalista. Sua principal liderança, Arlindo Veiga dos Santos, elogiava publicamente o governo de Benedito Mussolini, na Itália, e Adolfo Hitler, na Alemanha. O subtítulo do jornal A Voz da Raça também era sintomático: "Deus, Pátria, Raça e Família", diferenciando-se do principal lema integralista (movimento de extrema direita brasileira) apenas no termo "Raça". A FNB mantinha, inclusive, uma milícia, estruturada nos moldes dos boinas verdes do fascismo italiano. A entidade chegou a ser recebida em audiência pelo Presidente da República da época, Getúlio Vargas, tendo algumas de suas reivindicações atendidas, como o fim da proibição de ingresso de negros na guarda civil em São Paulo. Este episódio indica o poder de barganha que o movimento negro organizado dispunha no cenário político institucionalizado brasileiro. Com a instauração da ditadura do "Estado Novo", em 1937, a Frente Negra Brasileira, assim como todas as demais organizações políticas, foi extinta. O movimento negro, no bojo dos demais movimentos sociais, foi então esvaziado. Nessa fase, a luta pela afirmação racial passava pelo culto à Mãe-Preta e uma das principais palavras de ordem era a defesa da Segunda Abolição.

Vale salientar que, além da Frente Negra Brasileira, outras entidades floresceram com o propósito de promover a integração do negro à sociedade mais abrangente, dentre as quais destacam-se o Clube Negro de Cultura Social (1932) e a Frente Negra Socialista (1932), em São Paulo; a Sociedade Flor do Abacate, no Rio de Janeiro, a Legião Negra (1934), em Uberlândia/MG, e a Sociedade Henrique Dias (1937), em Salvador.



Segunda fase do Movimento Negro organizado na República (1945-1964): da Segunda República à ditadura militar.

Os anos de vigência do Estado Novo (1937-1945) foram caracterizados por violenta repressão política, inviabilizando qualquer movimento contestatório. Mas, com a queda da ditadura "Varguista", ressurgiu, na cena política do país, o movimento negro organizado que, por sinal, ampliou seu raio de ação. Na concepção de Guimarães, o protesto negro aumentou por diversas razões:

Primeiro, porque a discriminação racial, à medida que se ampliavam os mercados e a competição, também se tornava mais problemática; segundo, porque os preconceitos e os estereótipos continuavam a perseguir os negros; terceiro, porque grande parte da população "de cor" continuava marginalizada em favelas, mucambos, alagados e na agricultura de subsistência.
Esta fase do movimento negro, entretanto, não teria o mesmo poder de aglutinação da anterior.



Dessa época, um dos principais agrupamentos foi a União dos Homens de Cor. Também intitulada Uagacê ou simplesmente UHC, foi fundada por João Cabral Alves, em Porto Alegre, em janeiro de 1943. Já no primeiro artigo do estatuto, a entidade declarava que sua finalidade central era "elevar o nível econômico, e intelectual das pessoas de cor em todo o território nacional, para torná-las aptas a ingressarem na vida social e administrativa do país, em todos os setores de suas atividades". A UHC era constituída de uma complexa estrutura organizativa. A diretoria nacional era formada pelos fundadores e dividia-se nos cargos de presidente, secretário-geral, inspetor geral, tesoureiro, chefe dos departamentos (de saúde e educação), consultor jurídico é conselheiros (ou diretores).



Chama a atenção a escalada expansionista da UHC. Na segunda metade da década de 1940, ela abriu sucursal ou possuía representantes em pelo menos 10 Estados da Federação (Minas Gerais, Santa Catarina, Bahia, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Piauí e Paraná), estando presente em inúmeros municípios do interior. Somente no estado do Paraná, a UHC mantinha contato com 23 cidades em 1948. Em linhas gerais, sua atuação era marcada pela promoção de debates na imprensa local, publicação de jornais próprios, serviços de assistência jurídica e médica, aulas de alfabetização, ações de voluntariado e participação em campanhas eleitorais.


No início da década de 1950, representantes da UHC foram recebidos em audiência pelo então Presidente Getúlio Vargas, ocasião em que lhe foi apresentada uma série de reivindicações a favor da "população de cor". No Rio de Janeiro, os dirigentes da entidade tornaram-se "figuras proeminentes, seja no ativismo seja na vida pública. Este é o caso, por exemplo, de José Bernardo da Silva, eleito deputado federal por dois mandatos consecutivos a partir de 1954".Algumas dissidências ou mesmo agremiações homônimas surgiram a partir da UHC. Dentre elas, merecem nota o aparecimento da União Cultural dos Homens de Cor (UCHC), que era dirigida por José Pompílio da Hora, no Rio de Janeiro, e a fundação da União Catarinense dos Homens de Cor (UCHC), em Blumenau, em 1962. A implantação da ditadura militar, em 1964, concorreu para o arrefecimento de muitos grupos dos movimentos sociais no país, e a UHC não ficou incólume a esse processo.


Outro agrupamento importante foi o Teatro Experimental do Negro (TEN), fundado no Rio de Janeiro, em 1944, e que tinha Abdias do Nascimento como sua principal liderança. A proposta original era formar um grupo teatral constituído apenas por atores negros, mas progressivamente o TEN adquiriu um caráter mais amplo: publicou o jornal Quilombo, passou a oferecer curso de alfabetização, de corte e costura; fundou o Instituto Nacional do Negro, o Museu do Negro; organizou o I Congresso do Negro Brasileiro; promoveu a eleição da Rainha da Mulata e da Boneca de Pixe; tempo depois, realizou o concurso de artes plásticas que teve como tema Cristo Negro, com repercussão na opinião pública. Defendendo os direitos civis dos negros na qualidade de direitos humanos, o TEN propugnava a criação de uma legislação anti-discriminatória para o país.


O grupo foi um dos pioneiros a trazer para o país as propostas do movimento da negritude francesa, que, naquele instante, mobilizava a atenção do movimento negro internacional e que, posteriormente, serviu de base ideológica para a luta de libertação nacional dos países africanos. Com a instauração da ditadura militar em 1964, o TEN ficou moribundo, sendo praticamente extinto em 1968, quando seu principal dirigente, Abdias do Nascimento, partiu para o auto-exílio nos Estados Unidos. Na avaliação de Gonzalez, o TEN "significou um grande avanço no processo de organização da comunidade negra".



Nessa segunda etapa do movimento negro, a UHC ou o TEN não eram os únicos grupos que empreendiam a luta anti-racista, mas foram aqueles cujas ações adquiriram mais visibilidade. Além deles, articulou-se o Conselho Nacional das Mulheres Negras, em 1950. Em Minas Gerais, foi criado o Grêmio Literário Cruz e Souza, em 1943; e a Associação José do Patrocínio, em 1951. Em São Paulo, surgiram a Associação do Negro Brasileiro, em 1945, a Frente Negra Trabalhista e a Associação Cultural do Negro, em 1954, com inserção no meio negro mais tradicional. No Rio de Janeiro, em 1944, ainda veio a lume o Comitê Democrático Afro-Brasileiro – que defendeu a convocação da Assembléia Constituinte, a Anistia e o fim do preconceito racial –, entre dezenas de outros grupos dispersos pelo Brasil.


Outros sim, é importante assinalar que, nessa segunda etapa, a imprensa negra ganhou novo impulso, com a publicação de diversos jornais de protesto pelo país. Em São Paulo, surgiram o Alvorada (1945), O Novo Horizonte (1946), Notícias de Ébano (1957), O Mutirão (1958), Níger (1960); em Curitiba, o União (1947); no Rio de Janeiro, o Redenção (1950) e A Voz da Negritude (1952). Registrou-se, ainda, o aparecimento da revista Senzala (1946), em São Paulo. Apesar do crescente acúmulo de experiência, o movimento negro ficou isolado politicamente naquele momento, não podendo contar efetivamente com o apoio das forças políticas, seja da direita, seja da esquerda marxista. Um episódio ilustra esse estado de isolamento. Em 1946, o senador Hamilton Nogueira (UDN) apresentou à Assembléia Nacional Constituinte um projeto de lei anti-discriminatória, formulado originalmente na Convenção Nacional do Negro, um ano antes, em 1945. Colocado em votação, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) se opôs ao projeto, alegando que a lei iria "restringir o conceito amplo de democracia".

Para o PCB, as reivindicações específicas dos negros eram um equívoco, pois dividiam a luta dos trabalhadores e, por conseguinte, represavam a marcha da revolução socialista no país. Como resultado, o movimento negro ficou praticamente abandonado por décadas, inclusive pelos setores políticos mais progressistas. A primeira lei anti-discriminatória do país, batizada de Afonso Arinos, só foi aprovada no Congresso Nacional em 1951, após o escândalo de racismo que envolveu a bailarina negra norte-americana Katherine Dunham, impedida de se hospedar num hotel em São Paulo.


Terceira fase do Movimento Negro organizado na
República (1978-2000): do início do processo de
redemocratização à República Nova.

O golpe militar de 1964 representou uma derrota, ainda que temporária, para a luta política dos negros. Ele desarticulou uma coalizão de forças que palmilhava no enfrentamento do "preconceito de cor" no país. Como conseqüência, o Movimento Negro organizado entrou em refluxo. Seus militantes eram estigmatizados e acusados pelos militares de criar um problema que supostamente não existia, o racismo no Brasil. De acordo com Gonzalez, a repressão "desmobilizou as lideranças negras, lançando-as numa espécie de semiclandestinidade". A discussão pública da questão racial foi praticamente banida. Cunha Jr. aponta as dificuldades que havia para superar o desmantelamento do movimento negro naquela época:
tínhamos três tipos de problemas, o isolamento político, ditadura militar e o esvaziamento dos movimentos passados. Posso dizer que em 1970 era difícil reunir mais que meia dúzia de militantes do movimento negro.



A reorganização política da pugna anti-racista apenas aconteceu no final da década de 1970, no bojo do ascenso dos movimentos populares, sindical e estudantil. Isto não significa que – no interregno de recrudescimento da ditadura – os negros não tenham realizado algumas ações. Em São Paulo, por exemplo, em 1972, um grupo de estudantes e artistas formou o Centro de Cultura e Arte Negra (CECAN); a imprensa negra, por sua vez, timidamente deu sinais de vida, com os jornais Árvore das Palavras (1974), O Quadro (1974), em São Paulo; Biluga (1974), em São Caetano/SP, e Nagô (1975), em São Carlos/SP. Em Porto Alegre, nasceu o Grupo Palmares (1971), o primeiro no país a defender a substituição das comemorações do 13 de Maio para o 20 de Novembro. No Rio de Janeiro, explodiu, no interior da juventude negra, o movimento Soul, depois batizado de Black Rio. Nesse mesmo estado, foi fundado o Instituto de Pesquisa das Culturas Negras (IPCN), em 1976. Entretanto, tais iniciativas, além de fragmentadas, não tinham um sentido político de enfrentamento como regime. Só em 1978, com a fundação do Movimento Negro Unificado (MNU), tem-se a volta à cena política do país do movimento negro organizado. Mas, afinal, como ocorreu esse processo?


No plano externo, o protesto negro contemporâneo se inspirou, de um lado, na luta a favor dos direitos civis dos negros estadunidenses, onde se projetaram lideranças como Martin Luther King, Malcom X e organizações negras marxistas, como os Panteras Negras, e, de outro, nos movimentos de libertação dos países africanos, sobretudo de língua portuguesa, como Guiné Bissau, Moçambique e Angola. Tais influências externas contribuíram para o Movimento Negro Unificado ter assumido um discurso radicalizado contra a discriminação racial.



No plano interno, o embrião do Movimento Negro Unificado foi a organização marxista, de orientação trotskista, Convergência Socialista. Ela foi a escola de formação política e ideológica de várias lideranças importantes dessa nova fase do movimento negro. Havia, na Convergência Socialista, um grupo de militantes negros que entendia que a luta anti-racista tinha que ser combinada com a luta revolucionária anticapitalista. Na concepção desses militantes, o capitalismo era o sistema que alimentava e se beneficiava do racismo; assim, só com a derrubada desse sistema e a conseqüente construção de uma sociedade igualitária era possível superar o racismo. A política que conjugava raça e classe atraiu aqueles ativistas que cumpriram um papel decisivo na fundação do Movimento Negro Unificado: Flávio Carrança, Hamilton Cardoso, Vanderlei José Maria, Milton Barbosa, Rafael Pinto, Jamu Minka e Neuza Pereira. Entre 1977 e 1979, a Convergência Socialista publicou um jornal chamado Versus, que destinava uma coluna, a "Afro-Latino América", para o núcleo socialista negro escrever seus artigos conclamando à "guerra" revolucionária de combate ao racismo e ao capitalismo. Segundo Hanchard, as posturas táticas e ideológicas assumidas pela seção "Afro-Latino América" foram decisivas para o MNU e para o movimento em geral:

Pela primeira vez no Brasil a defesa de uma posição quanto à raça e à classe não foi marginalizada pela intelectualidade afro-brasileira e, na verdade, passou a suplantar os modelos conformista e assimilacionista como postura dominante do movimento negro.


Assim, no contexto de rearticulação do movimento negro, aconteceu uma reunião em São Paulo, no dia 18 de junho de 1978, com diversos grupos e entidades negras (CECAN, Grupo Afro-Latino América, Câmara do Comércio Afro-Brasileiro, Jornal Abertura, Jornal Capoeira e Grupo de Atletas e Grupo de Artistas Negros). Nesta reunião, decidiu-se criar o Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial (MUCDR), e a primeira atividade da nova organização foi um ato público em repúdio à discriminação racial sofrida por quatro jovens no Clube de Regatas Tietê e em protesto à morte de Robson Silveira da Luz, trabalhador e pai de família negro, torturado até a morte no 44º Distrito de Guainases. O ato público foi realizado no dia 7 de julho de 1978, nas escadarias do Teatro Municipal em São Paulo, reunindo cerca de 2 mil pessoas, e "considerado pelo MUCDR como o maior avanço político realizado pelo negro na luta contra o racismo".O evento recebeu moções de apoio de alguns estados, inclusive de várias associações negras cariocas: Escola de Samba Quilombo, Renascença Clube, Núcleo Negro Socialista, Centro de Estudos Brasil-África (CEBA) e o IPCN.


Uma Carta Aberta, distribuída à população, concitava os negros a formarem "Centros de Luta" nos bairros, nas vilas, nas prisões, nos terreiros de candomblé e umbanda, nos locais de trabalho e nas escolas, a fim de organizar a peleja contra a opressão racial, a violência policial, o desemprego, o subemprego e a marginalização da população negra. Na 1ª Assembléia Nacional de Organização e Estruturação da entidade, no dia 23 de julho, foi adicionada a palavra Negro ao nome do movimento, passando, assim, a ser chamado Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial (MNUCDR). Neste mesmo ano, foram aprovados o Estatuto, a Carta de Princípios e o Programa de Ação. No seu 1º Congresso, o MNUCDR conseguiu reunir delegados de vários estados. Como a luta prioritária do movimento era contra a discriminação racial, seu nome foi simplificado para Movimento Negro Unificado (MNU).

No Programa de Ação, de 1982, o MNU defendia as seguintes reivindicações "mínimas": desmistificação da democracia racial brasileira; organização política da população negra; transformação do Movimento Negro em movimento de massas; formação de um amplo leque de alianças na luta contra o racismo e a exploração do trabalhador; organização para enfrentar a violência policial; organização nos sindicatos e partidos políticos; luta pela introdução da História da África e do Negro no Brasil nos currículos escolares, bem como a busca pelo apoio internacional contra o racismo no país.


Concomitante à reorganização das entidades negras, registrou-se a volta da imprensa negra. Alguns dos principais jornais desse período foram: SINBA (1977), Africus (1982), Nizinga (1984), no Rio de Janeiro; Jornegro (1978), O Saci (1978), Abertura (1978), Vissungo (1979), em São Paulo; Pixaim (1979), em São José dos Campos/SP; Quilombo (1980), em Piracicaba/SP; Nêgo (1981), em Salvador/BA; Tição (1977), no Rio Grande do Sul, além da revista Ébano (1980), em São Paulo.


O nascimento do MNU significou um marco na história do protesto negro do país, porque, entre outros motivos, desenvolveu-se a proposta de unificar a luta de todos os grupos e organizações anti-racistas em escala nacional. O objetivo era fortalecer o poder político do movimento negro. Nesta nova fase, a estratégia que prevaleceu no movimento foi a de combinar a luta do negro com a de todos os oprimidos da sociedade. A tônica era contestar a ordem social vigente e, simultaneamente, desferir a denúncia pública do problema do racismo. Pela primeira vez na história, o movimento negro apregoava como uma de suas palavras de ordem a consigna: "negro no poder!".



O culto da Mãe Preta, visto como símbolo da passividade do negro, passou a ser execrado. O 13 de Maio, dia de comemoração festiva da abolição da escravatura, transformou-se em Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo. A data de celebração do MNU passou a ser o 20 de Novembro (presumível dia da morte de Zumbi dos Palmares), a qual foi eleita como Dia Nacional de Consciência Negra. Zumbi, aliás, foi escolhido como símbolo da resistência à opressão racial. Para os ativistas, "Zumbi vive ainda, pois a luta não acabou". O movimento negro organizado, com suas reivindicações específicas, adquiriu certa visibilidade pública. Como escreve Cunha Jr., naquela época "a grande imprensa descobriu existir um movimento negro no Brasil".
Para incentivar o negro a assumir sua condição racial, o MNU resolveu não só despojar o termo "negro" de sua conotação pejorativa, mas o adotou oficialmente para designar todos os descendentes de africanos escravizados no país. Assim, ele deixou de ser considerado ofensivo e passou a ser usado com orgulho pelos ativistas, o que não acontecia tempos atrás. O termo "homem de cor", por sua vez, foi praticamente proscrito.



Naquele período, o movimento negro passou a intervir amiúde no terreno educacional, com proposições fundadas na revisão dos conteúdos preconceituosos dos livros didáticos; na capacitação de professores para desenvolver uma pedagogia interétnica; na reavaliação do papel do negro na história do Brasil e, por fim, erigiu-se a bandeira da inclusão do ensino da história da África nos currículos escolares. Reivindicava-se, igualmente, a emergência de uma literatura "negra" em detrimento à literatura de base eurocêntrica.


O movimento negro organizado "africanizou-se". A partir daquele instante, as lides contra o racismo tinham como uma das premissas a promoção de uma identidade étnica específica do negro. O discurso tanto da negritude quanto do resgate das raízes ancestrais norte ou o comportamento da militância. Houve a incorporação do padrão de beleza, da indumentária e da culinária africana. Na avaliação de Maués, esta fase "se caracteriza por um rompimento tanto no que se refere a uma adesão aos valores (brancos) da primeira, como à posição no mínimo vacilante da segunda".


Também se desencadeou um processo de questionamento dos nomes ocidentais como única referência de identidade dos negros brasileiros. Muitas crianças negras, recém-nascidas, passaram a ser registradas com nomes africanos, sobretudo de origem iorubá. Como assinala Maués.


Trata-se da adesão a uma estética da negritude – vestuário, penteados, adereços, ditos afro. Além de sua própria imagem, a adesão deve passar pela valorização e mesmo adoção de elementos da "cultura africana", tais como música, dança, jogos e até hábitos alimentares, traduzidos nos jornais em receitas atribuídas aos antigos descendentes de escravos. Para completar o modelo, insiste-se na adoção, para as crianças, de nomes africanos, que aparecem sempre nos jornais acompanhados de sua tradução para o português.
Até no terreno religioso houve um processo revisionista. Se nas etapas anteriores o movimento negro era notadamente cristão, impôs-se a cobrança moral para que a nova geração de ativistas assumisse as religiões de matriz africana, particularmente o candomblé, tomado como principal guardião da fé ancestral.


O movimento negro ainda desenvolveu, nessa terceira fase, uma campanha política contra a mestiçagem, apresentando-a como uma armadilha ideológica alienadora. A avaliação era de que a mestiçagem sempre teria cumprido um papel negativo de diluição da identidade do negro no Brasil. O mestiço seria um entrave para a mobilização política daquele segmento da população. Segundo essa geração de ativistas, a mestiçagem historicamente esteve a serviço do branqueamento, e o mestiço seria o primeiro passo desse processo. Por isso, condenavam o discurso oficial pró-mestiçagem. Como contrapartida, defendiam os casamentos endogâmicos e a constituição da família negra. O homem negro teria que, inexoravelmente, casar-se com a mulher do mesmo grupo racial e vice-versa. Por essa concepção, os casamentos interraciais produziam o fenômeno da mestiçagem que, por sua vez, redundariam, a longo prazo, em etnocídio. O discurso nacional pró-mestiçagem era, assim, concebido como uma estratégia da classe dominante para provocar o "genocídio" do negro no país.


Os dois aspectos distintivos dessa fase na opinião de Cardoso foram: "de um lado, a introdução pelos movimentos negro, no ideário político da sociedade (brasileira), de reivindicações anti-racistas e, de outro, a crescente consolidação de uma nova identidade racial e cultural para o negro" no país.



Quarta fase do Movimento Negro organizado na

República (2000 - ?): uma hipótese interpretativa.


Alguns elementos sinalizam que no início do terceiro milênio está se abrindo uma nova fase do movimento negro, com a entrada em cena do movimento hip-hop, por vários motivos. Trata-se de um movimento cultural inovador, o qual vem adquirindo uma crescente dimensão nacional; é um movimento popular, que fala a linguagem da periferia, rompendo com o discurso vanguardista das entidades negras tradicionais. Além disso, o hip-hop expressa a rebeldia da juventude afro-descendente, tendendo a modificar o perfil dos ativistas do movimento negro; seus adeptos procuram resgatar a auto-estima do negro, com campanhas do tipo: Negro Sim!, Negro 100%, bem como difundem o estilo sonoro rap, música cujas letras de protesto combinam denúncia racial e social, costurando, assim, a aliança do protagonismo negro com outros setores marginalizados da sociedade. E para se diferenciar do movimento negro tradicional, seus adeptos estão, cada vez mais, substituindo o uso do termo negro pelo preto.


Apesar de estar em curso um processo de transição nas formas de engajamento e luta anti-racista no país, é precoce decretar que a agitação do hip-hop sela uma ruptura na plataforma do movimento negro. Primeiro, porque ele ainda é um movimento desprovido de um programa político e ideológico mais geral de combate ao racismo. Segundo, porque o hip-hop no Brasil não tem um recorte estritamente racial, ou seja, não visa defender apenas os interesses dos negros. Daí o discurso ambivalente. Se, de um lado, esse movimento tem um discurso radicalizado de rebeldia contra o sistema (termo sempre usado de maneira abstrata!), de outro, não define explicitamente qual é o eixo central da luta. Desde que chegou ao país, o hip-hop adquiriu um caráter social. Embora seja esposado pelos negros, ele também tem penetração nos setores da juventude branca marginalizada que vive na periferia dos principais centros urbanos do país.


Considerações finais :

Com a extinção da escravidão, em 1888, e a proclamação da República, em 1889, a elite brasileira implementou políticas públicas alicerçadas nos postulados do "racismo científico e do darwinismo social e lançou o Brasil numa campanha nacional (...) para substituir a população mestiça brasileira por uma população 'branqueada'e 'fortalecida' por imigrantes europeus".Os egressos do cativeiro e os afro-descendentes de um modo geral foram privados – ou tiveram dificuldades – de acesso ao emprego, à moradia, à educação, à saúde pública, à participação política, enfim, ao exercício pleno da cidadania. Ante tal situação, uma parte deles não permaneceu passiva. Pelo contrário, levou avante múltiplas formas de protesto, impulsionando os movimentos de mobilização racial (negra) no Brasil. Foram engendradas diversas organizações com base na identidade racial; elas procuravam projetar os "homens de cor", como atores políticos, no cenário urbano.

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Já na primeira fase do movimento negro na era republicana (1889-1937), emergiram organizações de perfis distintos: clubes, grêmios literários, centros cívicos, associações beneficentes, grupos "dramáticos", jornais e entidades políticas, as quais desenvolviam atividades de caráter social, educacional, cultural e desportiva, por meio do jornalismo, teatro, música, dança e lazer ou mesmo empreendendo ações de assistência e beneficência. Em momento de maior maturidade, o movimento negro se transformou em movimento de massa, por meio da Frente Negra Brasileira. Na segunda fase (1945-1964), o Movimento Negro retomou a atuação no campo político, educacional e cultural. Com a União dos Homens de Cor e o Teatro Experimental do Negro, passou-se a enfatizar a luta pela conquista dos direitos civis. Na terceira fase (1978-2000) surgiram dezenas, centenas de entidades negras, sendo a maior delas o Movimento Negro Unificado.



Nas duas primeiras fases, a maior parte do movimento negro mantém se afastado das formas tradicionais de organização das classes sociais (a saber: sindicatos e partidos). Isto não significa que o movimento tenha ficado em estado de isolamento político, haja vista que alguns de seus setores contraíram alianças e assumiram compromissos com diversas forças políticas e ideológicas. Na terceira fase, entretanto, boa parte do movimento negro se aproxima dos partidos e dos sindicatos, procurando estabelecer um liame nas ações de natureza classista e anti-racista.

Ao examinar o discurso das lideranças negras em uma perspectiva histórica, percebe-se uma pluralidade de incursões político-ideológicas, desde a defesa de teses autoritárias até a apologia de proposições socialistas. Se, nas duas primeiras fases, o movimento negro organizado tem majoritariamente posições políticas de "direita", na terceira fase ele se alinha à "esquerda" marxista e preconiza um programa em prol da justiça racial que sensibiliza cada vez mais a sociedade brasileira.


Em 1985, o historiador brasilianista Thomas Skidmore escreveu: "Não há história geral dos movimentos negros e/ou mulatos no Brasil moderno, fora da época abolicionista. Isto não é surpreendente, já que pouca pesquisa se fez a respeito". Skidmore tinha razão: movimento negro era um tema pouco explorado pela historiografia brasileira na década de 1980. Hodierno, esse panorama vem se alterando, sem contudo deixar de suscitar algumas peculiaridades. Muitas das pesquisas sobre o movimento negro ainda não foram publicadas; elas são encontradas na forma de dissertações e teses acadêmicas, o que dificulta a divulgação em circuitos de maior alcance. Outra peculiaridade é que as organizações negras de São Paulo e do Rio de Janeiro têm sido as mais estudadas até o presente. Estes estudos produzem um quadro apenas parcial, visto que houve (e há) organizações negras estruturadas e atuantes nas cinco regiões do país.


É comum pensar que o movimento negro organizado só começa nos anos 1930 – por meio da Frente Negra Brasileira –, sendo retomado décadas depois, com o florescimento do Movimento Negro Unificado, no final dos anos 1970. Este artigo corrobora para refutar essa visão. Ou seja, havia uma articulação de atores e grupos negros em outros momentos. Isto permite afirmar que o movimento negro contemporâneo já acumula experiência de gerações, sendo herdeiro de uma tradição de luta que atravessa praticamente todo o período republicano.

É por intermédio das múltiplas modalidades de protesto e mobilização que o movimento negro vem dialogando, não apenas com o Estado, mas principalmente com a sociedade brasileira. A trajetória desse movimento vem se caracterizando pelo dinamismo, pela elaboração e reelaboração, em cada conjuntura histórica, de diversas estratégias de luta a favor da integração do negro e erradicação do racismo na sociedade brasileira. Para finalizar, vale lembrar que o movimento negro forjou um certo nível de organização no pós-Abolição que não pode ser mais obliterado pela historiografia e, especialmente, pelas linhas de pesquisas especializadas no resgate dos movimentos sociais do período republicano.



Este texto é de autoria de Petronio Domingues, Doutor em História pela Universidade de São Paulo. Professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).