Massacre de trabalhadores na África do Sul 


A polícia sul-africana realizou uma operação armada que resultou na morte de pelo menos 36 trabalhadores de uma mina localizada Marikana, região norte do país. Foi o maior matança acontecida na África do Sul desde o fim do período do regime segregacionista do Apartheid. Vídeos confirmam a brutalidade da ação policial, exibindo os integrantes das forças de segurança abrindo fogo indiscriminadamente contra a massa de trabalhadores grevistas. 





Os trabalhadores empregados da empresa britânica Lonmin terceira maior mineradora do ramo de platina, decidiram interromper suas atividades na luta pelas reivindicações de recomposição salarial e por melhorias nas condições de trabalho. A mina a onde se efetivou o massacre, mantinha péssimas condições para exercício da atividade de extração do minério, acumulando um histórico de elevado acidentes.





Após o fato ter ocorrido cinicamente o oportunista presidente Jacob Zuma que mantém seu governo, totalmente compromissado á serviços das multinacionais que incluem gigantes como a própria Lonmin, declarou estar ''entristecido'', solicitando a abertura de investigações para apontar os responsáveis pela barbárie, na verdade uma manobra distracionista, com objetivo de inibir o avanço de uma radicalização do processo de luta da população trabalhadora. A União Nacional dos Mineiros (NUM) principal sindicato dos trabalhadores da mineração, emitiu uma declaração responsabilizando os próprios trabalhadores grevista pela carnificina, alegando que seus métodos de lutas estavam “antiquados” e não compatíveis com os marcos “democráticos” da sociedade, os representantes da Lonmin se limitaram a uma nota de lamento pelo massacre, informando que irá custear a educação dos órfãos que tiveram seus pais brutalmente assassinados, justamente quando os mesmos lutavam para garantir seus direitos a uma vida digna e a um trabalho em situação salubre.





Jacob Zuma assumiu a presidência em  2009 com apoio de Nelson Mandela, vencendo seu concorrente interno de partido Thabo Mbeki, seguindo  uma linha populista, desde então as repressões aos  movimentos de trabalhadores esta se elevando a níveis acentuados, tendo  a realização da Copa do mundo de futebol, servindo para ampliação e reforço do aparato policial. Inúmeras foram as greves e paralisações de operários que foram violentamente interrompidas antes da realização do evento esportivo. 



Traição ao povo ocorre desde Mandela! 

Esse trágico acontecimento revela à luz a verdadeira natureza do  governo do CNA (Congresso Nacional Africano). Desde  1994  o CNA gerencia  o Estado sul-africano em combinação com seus parceiros históricos o Partido Comunista e a central sindical COSATU, esse  triunvirato e responsável pela manutenção da ordem capitalista que mantém na pobreza milhões de trabalhadores negros, enquanto preserva intacto os interesses da burguesia bôer e dos trustes transacionais que exploram setores estratégicos da economia.


Os dirigentes do CNA se utilizam da imagem de Nelson Mandela para amortecer qualquer iniciativa de resistência popular, enquanto que ao mesmo tempo incrementam uma série de políticas que reforçam a exploração econômica e opressão social sobre as massas.


O processo que culminou com a anistia que possibilitou à eleição de Mandela a presidência, foi meticulosamente estabelecido por meio de negociações. Dessa forma a libertação de Mandela foi resultado de acordos prévios. Isso se caracterizou como um procedimento de transição conversadora, mantida sobre as rédeas do Partido Nacional e assessorado de perto pelo imperialismo norte-americano e britânico.  O acesso  do Congresso Nacional Africano ao poder foi certificado do cumprimento de alguns compromissos, sendo o principal de zelar pelo funcionamento do sistema capitalista, como prova de aceitação dos termos para a transição o CNA desmantelou seu  braço armado o Umkhonto we Sizwe (MK) responsável por operar ações de guerrilhas.


Não havendo riscos inerentes, Mandela foi solto das masmorras da prisão de Robben Island, saindo após 28 anos de cárcere com discurso moderado e propondo a “reconciliação” nacional.  O recebimento em conjunto do Prêmio Nobel da Paz com Frederik de Clerk, em 1993 consolidou essa política de traição, firmando o pacto colaboracionista descarado com a classe dominante racista. O governo do CNA concebeu mais liberdade as multinacionais para rapinarem as riquezas do sul-africanas, lançou medidas compensatórias sobre as camadas mais pobres da população, consolidando sua hegemonia no poder.


O morticínio atual dos trabalhadores mineiros se assemelha ao massacre de Sharpeville acontecido em 1960, quando estudantes tomaram as ruas para protestar por melhorias no sistema educacional e acabaram sendo atacados a bala pelos carrascos polícias, sem o mínimo de direito a defesa.  

Mesmo com o término ''oficial'' do regime racista de minoria branca, a polícia sul-africana mantém a postura verduga, agindo com o mesmo modus operandi da época apartheid, reprimindo brutalmente qualquer movimento ou protesto que ouse questionar a ordem vigente.  Somado a situação repressora, existe um acordo implícito por parte das lideranças dos trabalhadores que mantém os sindicatos aparelhados ao poder estatal, esse colaboracionismo tático acaba por abortar a luta de classes e por conseqüência  de um movimento independente dos setores explorados da sociedade sul-africana.  


Com a inexistência de uma força política, genuinamente fruto do movimento de massas que possa fazer frente a seu governo, os traidores do CNA prosseguem aprofundado a repressão e pobreza do povo negro. Nesse exato momento histórico se necessita denunciar a funcionalidade servil do  degenerado CNA e seus aliados diante as classes dominante e ao imperialismo, forjando a criação de um autêntico poder que liberte as massas trabalhadoras e garanta uma realidade de prosperidade econômica e bem estar social.












Kassan 17/08/2012 

2 comentários:

Pedro Guerra disse...

Comapnheiros,
excelente análise. repassei aos meus contatos.
Venham conhecer nossa organização

www.espacosocialista.org

saudações revolucionarias

PEDRO GUERRA
guerrahpedro@gmail.com

Pedro Guerra disse...

abraço