Carolina Maria de Jesus é Vanguarda!

Mulher preta, pobre, semialfabetizada, o que uma mulher com essas características poderia almejar ser em uma sociedade racista? No máximo ser empregada doméstica de uma ''boa'' família de brancos ricos, casar, ter filhos e pronto. Uma vida de limites.  

Se uma mesma mulher com essas características desejasse se tornar escritora, poetisa? No Brasil, década de 1960 era algo completamente inadmissível, improvável, impossível.  Apesar de todos os contras possíveis uma mulher com essas características brilhou como uma estrela. Se hoje apesar das limitações, já existem consolidadas escritoras negras, nada disso teria ocorrido se não fosse pelo pioneirismo desempenhado por Carolina Maria de Jesus.


Carolina Maria de Jesus desenvolveu sua obra á base de sua origem de sua vivência. Um ponto de vista próprio, quebrando paradigmas então existentes no universo da literatura brasileira a respeito da representação do africano/negro. Com maturidade e experiência de quem suportou na pele e por causa da pele inúmeras dificuldades, sofrimentos, mas que superou barreiras consideradas intransponíveis, Carolina Maria de Jesus construiu composição literária vanguardista. 

Em 2014 centenário de seu nascimento? Onde está as homenagens, o prestigiamento das feiras literárias, os debates sobre seus livros? Nada disso acontece, por que esse tipo de honraria apenas fica reservada para escritores brancos.


Quando deixamos de reconhecer e não damos o devido laurel da grandeza de Carolina Maria de Jesus, isso nós mata historicamente, quando não fazemos justa deferência, perdemos nossa memória histórica.

Por tudo que fez com toda justeza e possível chamar Carolina Maria de Jesus de primeira-dama da literatura afro-brasileira.



Kassan 21/12/2014
E quanto à acusação de que os negros estão ficando racistas?

Por Steve Biko

Essa queixa é um dos passatempos favoritos de liberais frustrados que sentem que estão perdendo terreno na sua atuação como guias. Esses autonomeados guias dos interesses dos negros se vangloriam dos anos de experiência na luta pela defesa dos "direitos negros". Eles vêm fazendo coisas para os negros, em favor dos negros e por causa dos negros,mas quando estes anunciam que chegou a hora de fazerem as coisas por eles mesmos, todos os liberais gritam como se fosse o fim do mundo! Ei, vocês não podem fazer isso! Você está sendo racista. Está caindo na armadilha deles.


Aparentemente está tudo bem com os liberais, desde que continuemos na armadilha deles. As pessoas bem informadas definem o racismo como a discriminação praticada por um grupo contra outro, com o objetivo de dominar ou manter a dominação. Em outras palavras, não se pode ser racista a menos que se tenha o poder de dominar. Os negros estão apenas reagindo a uma situação na qual verificam que são objetos do racismo do branco. Estamos nessa situação por causa de nossa pele. Somos segregados coletivamente - o que pode ser mais lógico do que reagirmos em grupo?Quando os trabalhadores se reúnem sob os auspícios de um sindicato para lutar por melhores condições de vida, ninguém no mundo ocidental se surpreende. É o que todo mundo faz. Ninguém os acusa de terem tendências separatistas. Os professores travam suas próprias lutas, os lixeiros fazem o mesmo, e ninguém age como guia do outro. Mas, de algum modo, quando os negros querem agir por si, o sistema liberal parece encontrar nisso uma anomalia. Na verdade, é uma contra-anomalia. A anomalia se encontra antes, quando os liberais são presunçosos o suficiente para achar que cabe a eles lutar pelos negros.








Kassan 19/12/2013


Uma sombra que ainda paira sobre a África do Sul

Mesmo com o término oficial do apartheid a mais de 2 décadas. Ainda continua a prevalecer áreas habitadas exclusivamente por brancos. Se mantendo alheias a queda do apartheid. Uma dessas comunidades boeres homogêneas é Orânia, localizada em proximidade ao rio Orange. Em Orânia possui hino, moeda própria (valida apenas na comunidade) até uma bandeira, bastante sugestiva que traz a imagem de um garoto arregaçando as mangas. O objetivo de Orânia e ser um reduto para a cultura africâner, reunir forças suficientes para proclamar independência geral da África do Sul.

Espalhado pela África do Sul há vigentes organizações políticas dedicadas a promoção do nacionalismo africâner, defendendo a criação de uma república composta unicamente por brancos. Se baseiam em uma reciclagem do conceito ideológico chamado de Volkstaat ( Estado do Povo) que serviu de suporte para a supremacia racial na África do Sul desde a independência do país até a formalização do apartheid. A principal dessas organizações políticas bôer é Movimento de Resistência Africâner (em africâner: Afrikaner Weerstandsbeweging), abreviado para AWB. O líder da organização do AWB, Eugène Terre'Blanche foi morto em 2010 por empregados negros.

Essas organizações estão em condição de marginalidade política. Não dispõem de apoio de massas. Mas possuem milícias armadas e treinadas. Classificam que o povo bôer esta em séria situação de genocídio, tendo suas propriedades e vidas ameaçadas por horda de africanos.

Mesmo estabilizado o regime político da África do Sul pós-apartheid, sempre possa haver o risco de haver o por parte de boeres extremistas o uso de métodos de terrorismo para concretizarem seus objetivos.




( Bandeira de Orânia)                          



Kassan 12/12/2013

O temor de uma África do Sul nuclearizada governada por negros!

Por que um país ''voluntariamente'' desmantelaria suas armas nucleares que consumiram anos e bilhões de dólares para serem desenvolvidas? Esse questionamento vai direto para a África do Sul.

África do Sul e o único país no continente africano a possuir controle sobre tecnologia nuclear. O país possui a única usina nuclear do continente africano, Central Nuclear Koeberg, cuja construção se iniciou em 1976 e foi terminada em 1984. Em 1982 ainda durante a construção a instalação da usina foi atacada por combatentes do Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação) ramificação guerrilheira do CNA (Congresso Nacional Africano). O desenvolvimento do estágio tecnológico nuclear do país foi alcançada devido a cooperação com Israel, os governos de ambos os países durante as décadas de 1960, 70,80 fecharam uma parceria nessa área, os israelenses forneceram combustível nuclear aos sul-africanos.

O programa nuclear sul-africano permitia que o país tivesse o controle das etapas de enriquecimento de urânio, com isso a confecção de um artefato nuclear se tornou viável. Apesar de publicamente negado por autoridades sul-africanas, foi exatamente isso que o governo da minoria branca realizou, aproximadamente 6 ogivas nucleares foram produzidas. Além das armas nucleares, houve também o esforço em capacitar à defesa militar com mísseis balísticos. Há África do Sul na época da Guerra Fria, por sua posição geográfica no continente, correspondia como um importante aliado estratégico no combate a proliferação de governos socialistas nos países vizinhos. Mantendo essa destacada posição de gendarme associado ao imperialismo, portanto não ocorreu por parte dos Estados Unidos, Inglaterra, oposição ao empenho do regime segregacionista em dispor desse poderio bélico. 

Essa situação se alterou a partir da metade da década de 1980. Com a eleição de Frederick De Klerk a presidência com um discurso reformista, pregando a distensão gradual do apartheid, já prevendo como inevitável a continuidade das bases do regime racista e temorizando a futura democratização política que colocariam os negros no poder, a cúpula das Forças Armadas decidiu por uma resolução em que todas as ogivas nucleares seriam desativadas e os mísseis balísticos desmantelados.

Uma nova África do Sul, governada por negros é possuindo armas nucleares e  mísseis balísticos não era aceitável para o futuro. Antes que se finalizasse o processo de término oficial do segregacionismo, toda a infraestrutura militar foi liquidada, ogivas desativadas e os mísseis balísticos desmontados completamente e suas peças destruídas. Nelson Mandela foi libertado em 11 de fevereiro de 1990. Em julho de 1991 Frederick De Klerk apressadamente assina a participação sul-africana para integrar o Tratado de Não Proliferação de Armas (TNP) e depois o governo ainda assinou um acordo de salvaguardas abrangente com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Ainda nos esforços em evitar qualquer tentativa futura de próximo governo Sul-Africano em reestruturar o país novamente com armas nucleares, o regime de apartheid promulgou a maior parte da legislação de auto-restrição na forma de "Lei de Não-Proliferação de Armas de Destruição em Massa", essa legislação estabeleceu a criação de um conselho nacional para controlar as exportações de materiais, equipamentos e tecnologia militar.

Frans Cronje, vice-presidente do Instituto Sul-Africano de Relações Raciais, um think tank com sede em Joanesburgo, argumenta decididamente: "Um Estado Africano nuclear exerceria um papel de liderança mais forte, algo que obriga outros governos a conceder um tratamento com mais seriedade em questões político-diplomáticas. Não podemos negar o poder nuclear é o poder dissuasivo mais efetivo em nosso mundo contemporâneo."


Nota do Blog*

Uma nação negra nuclearizada seria excelente, pois seria um contrapondo ao sistema mundial de poder ''branco''. Os demais países não-brancos a possuírem armas nucleares, China, Coreia do Norte, Índia, Paquistão, economicamente e politicamente não objetivam contestar ou alterar o sistema mundial de poder branco.



Kassan 07/12/2013 

Nelson Mandela não foi o único!

Mesmo pelo pesar da notícia o Madiba está morto. Há mídia mundial, trata logo de exaltar características que consideram magníficas em Nelson Mandela, seu caráter reconciliador não revanchista, um apologista da universal da paz. São atributos sempre ressaltados em todas as matérias a respeito de Mandela.

Para esses jornalistas o fim do apartheid se deve exclusivamente como uma desfecho bem negociado entre Nelson Mandela é Frederik de Klerk. Ignorando o sangue africano vertido na luta armada empregada.


O que muito a mídia ignora são os outros combatentes que tombaram lutando contra o apartheid. Um dos principais militantes ''esquecidos'' foi Robert Sobukwe, fundador e líder de uma das principais organizações a oferecer resistência ao regime boer o Congresso Pan-africanista de Azania (PAC), inicialmente conhecido por Congresso Pan-africanista.

O PAC recorreu a métodos de luta armada, criando uma organização guerrilheira apêndice o Exército Popular de Libertação de Azania (APLA). Muitos integrantes do PAC foram presos é executados. Robert Sobukwe que coincidentemente nasceu em um 5 de dezembro, foi preso, torturado e morreu nas masmorras do apartheid em 1978. O PAC sobreviveu a repressão do apartheid e ainda continua na ativa na África do Sul.






Kassan 06/12/2013


Fred Hampton, revolução nunca morre!


Fred Hampton foi à principal liderança do Partido Pantera Negra, na cidade de Chicago, Estado do Illinois. Militante destacado pela energia com que promovia ideias revolucionárias é como também as colocava em prática. Teve uma vida curta, porém tempo suficiente para ser devidamente reconhecido como um mártir. Traído por alguém que considerada companheiro de partido e morto covardemente por forças policiais.

Fred Hampton foi um estrategista político capaz de estender ao Partido Pantera Negra um arco de alianças com outros grupos militantes fora da comunidade negra, igualmente oprimidos pelo establishment estadunidense, especialmente a comunidade latina. Uma face jovial de uma América negra em raiva que conscientemente se insurgia contra a opressão racista e classista. Foi ativista, orador, organizador, reunia todas as características positivas de alguém a batalhar arduamente pelo povo, tudo isso mantendo um charme carismático que magnetizava as pessoas.

O assassinato de Fred Hampton é considerado uma verdadeira declaração de guerra por parte do Estado reacionário contra os Panteras Negras e também contra todas as organizações radicais políticas existentes na época. Matá-lo foi parte da operação do COINTELPRO (Programa de Contra-inteligência), desenvolvido pelo FBI (Federal Bureau of Investigation) para exterminar, inibir e neutralizar tudo que fosse considerado perigoso a "segurança interna" dos Estados Unidos. Após a morte Hampton foi intensificado a repressão sobre os quadro do Partido Pantera Negra, levando a morte ou a prisão outras dezenas de integrantes.  

Nascido em 30 de agosto de 1948, em 4 de dezembro de 1969 foi dopado por William O'Neal, um infiltrado entre os Panteras Negras que colaborava com a polícia. Invadido o apartamento Fred Hampton sobre o efeito das drogas não teve tempo para reagir, sendo morto a tiros, juntamente com ele outro Pantera Negra, também foi executado pelos agentes da repressão Mark Clark, também estava no apartamento na hora do duplo homicídio a namorada de Hampton, Deborah Johnson (agora conhecido como Akua Njeri) estava grávida e presenciou toda a ação de extermínio. O filho do casal batizado de Fred Hampton Jr. nasceria poucos dias após a morte do pai em 29 de dezembro. Com a coordenação direta do FBI, o objetivo da polícia era muito maior, era aniquilar toda a cúpula do Partido Pantera Negra da cidade de Chicago, conforme comprova a declaração de Gregg Iorque, agente especial do FBI, envolvido na operação:

"Esperávamos cerca de vinte panteras estarem no apartamento quando a polícia invadiu o local. Apenas dois desses criolos foram mortos, Fred Hampton e Mark Clark."

Durante 21 anos seguiu uma lei própria de todo autêntico revolucionário, a lei de "Servir o povo de todo coração". 




Segue abaixo uma eloquente demonstração política de pleno amor feita pelo próprio Fred Hampton para com o povo. Uma lição histórica.

Eu nasci em uma comunidade burguesa e tive algumas das melhores coisas da vida, mas eu achei que havia mais pessoas famintas do que havia pessoas comendo, mais pessoas que não tinham roupas que tinham roupas. Então eu decidi que eu não iria parar de fazer o que estou fazendo até que todas as pessoas estivessem livres.

Nós vamos ter que fazer mais do que falar. Nós vamos ter que fazer mais do que ouvir. Nós vamos ter que fazer mais do que aprender. Nós vamos ter que começar a praticar e isso é muito difícil. Estamos vai ter que começar a ficar lá fora, com as pessoas e isso é difícil. Às vezes pensamos que somos melhores do que as pessoas, por isso evitamos um monte de trabalho duro.

Você não combater fogo com fogo. Você combater o fogo com água. Estamos racismo luta vai com solidariedade. Nós não somos o capitalismo luta vai com o capitalismo Preto. Estamos capitalismo luta vai com o socialismo. Socialismo é o povo. Se você tem medo do socialismo, você tem medo de si mesmo.

Sem educação, as pessoas vão aceitar qualquer coisa. Sem educação, o que você vai ter é neocolonialismo em vez do colonialismo como você tem agora. Sem educação, as pessoas não sabem por que elas estão fazendo o que estão fazendo, você sabe o que eu quero dizer? Você pode ter pessoas envolvidas em um movimento emocionalista, pode levá-las porque elas são pobres e elas querem alguma coisa e, em seguida, se elas não estão educadas, elas querem mais e antes que você perceba, nós temos um imperialismo Negro.


Você tem que entender que as pessoas têm de pagar o preço da paz. Se você se atreve a lutar, você se atreve a ganhar. Se você não se atrevem a lutar, então você não merece ganhar. Deixe-me dizer: paz para você, se você estiver disposto a lutar por ela.

Nada é mais importante do que parar o fascismo, porque o fascismo vai nos parar. Nós não odiamos as pessoas brancas. Odiamos o opressor, seja ele branco, preto, marrom ou amarelo. Vamos trabalhar com qualquer um, se aglutinam com qualquer pessoa que tenha revolução em sua mente. Mas qualquer um que entra em nossa comunidade e configura qualquer coisa que não atende às necessidades das massas, vou agarrá-lo pelo pescoço e bater aquele homem até a morte com um papel de Pantera Negra.

Eu vou fazer o meu trabalho e eu acredito que eu nasci para não morrer em um acidente de carro. Eu não acredito que eu vou morrer escorregando por um pedaço de gelo. Eu não acredito que eu nasci para morrer por causa de um coração mau. Eu não acredito que eu nasci para morrer de câncer de pulmão. Acredito que vou ser capaz de fazer o que eu vim fazer. Acredito que vou ser capaz de morrer voluntariamente pelo povo. Acredito que serei capaz de morrer como revolucionário na luta revolucionária internacional do proletariado. E eu espero que cada um de vocês seja capaz de viver nela. Eu penso nas lutas que estão por vir. Por que não viver para o povo? Por que não viver para a luta? Por que não morrer na luta?

Se você não vai fazer nenhum ato revolucionário, pode esquecer-se de mim. Eu não me quero em sua mente se você não está indo trabalhar para o povo. Eu não poderia estar de volta. Eu poderia estar na cadeia. Eu poderia estar em qualquer lugar. Mas você pode acreditar que as últimas palavras em meus lábios serão eu sou um revolucionário."





Kassan 04/12/2013